QUEM SOU EU...


"Ninguém pode calar dentro em mim esta chama que não vai passar, é mais forte que eu e não quero dela me afastar....



Eu não posso explicar quando foi e nem quando ela veio, mas só digo o que penso, só faço o que gosto e aquilo em que creio..."(Maysa)



Com as outras dores fazem-se versos...com as que doem,grita-se! (Fernando Pessoa)













Quem "grita" como eu......

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

PODER DA ESCRITA


O ato de escrever, grafar letras, juntar fonemas, em mecanismo simples, há muito percebido, causa-me enorme prazer.

Delicioso seria se minha ocupação maior fosse escrever e escrever, usando variados tipos de letras.

Grafaria em script, em letras de forma, em caprichosa caligrafia tornando o meu dia farto de prazer.

Delícia que pode ser perigosa!

Posso, de repente, só para provocar, com a caligrafia externar o que todos têm de mais secreto e verdadeiro: o próprio pensamento.

Que seria das pessoas se escrevessem e remetessem aos seus destinos exatamente o que pensam e não o que supõe vai agradar aos que lêem ou criar revoltas pela metade?

As verdades de cada um, aquelas do pensamento, aquelas que se olha, se pensa e se cala, ninguém nunca disse e nem as dirá pois é o maior tesouro que todos têm, sendo que alguns nem o percebem.

Falam e falam, gritam, escrevem e nunca dizem a verdade.

São prisioneiros de seus gritos, mentiras e escritos.

Apenas no dia em que todos gritarem ou explodirem ou escreverem suas verdades, serão livres!


"Conhecerás a verdade e ela vos libertará"(Jesus Cristo)

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Sonia Regina

terça-feira, 16 de março de 2010

OLHO POR OLHO

Os problemas persistem e eu sou teimosa...O trabalho para postar o texto é triplicado...mas o resultado é bem gostoso!!!!

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Tristeza só atrapalha, pensemos nisso...Corações lamentosos, então, nada resolvem. Nunca estamos sozinhos e devemos sorrir mesmo que seja interiormente. O sorriso lava a alma, ilumina o rosto e afasta todos que desejem nos oprimir.

Deixemos o coração leve sem nos preocuparmos com quem queira nos atingir...Pensemos que essas pessoas, no momento em que nosso pensamento se entristece com elas podem estar sorrindo e sequer lembrando-se que existimos. Apesar de fragilizados nessas situações, jamais estamos sozinhos.

Tornamo-nos uma brisa que o vendaval não deixa que nos apercebamos dela. No entanto, quando ele se vai a brisa permanece.

Sejamos perseverantes, não desanimemos: os cães ladram e o sol jamais deixa de brilhar por causa do ruído que fazem.

Acalmemo-nos e cuidemos de quem precisar, realmente, de nós. Dos outros, Deus,em sua soberana justiça saberá cuidar.

Olho por olho, dente por dente e tudo que nos for tirado, injustamente, nos será restituído com juros...


Sonia Regina, 22/03/1997

segunda-feira, 1 de março de 2010

DIAS


Há dias de luz,
dias mais escuros,

dias animados,
dias de preguiça,

dias de prodígios,
dias tão comuns...

dias todos juntos,
dias de tão só!

Todos os dias são meus!

Sonia Regina/1999

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

MULHER - PASSARINHO



Passarinho preso perde o horizonte, a vista já não o alcança... esquece os caminhos por onde seguia.

Recebe alimentação sem se importar se pouca, ou saborosa e farta.

Nada importa, tudo é automático.

É um voejar de lá pra cá, de poleiro em poleiro, sem sentido, nem razão.

Passarinhos foram criados para voarem sem limites, para cruzarem os céus e buscarem alimento quando dele precisarem e, se necessário, lutarem por ele...

Sonia Regina /1994

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

LUA - FEMININA




Intrigam-me os eclipses lunares: Após algumas horas de escuridão o dia amanhece estalando de felicidade, luz, alegria. Constato, no entanto que muitas pessoas continuam a usar suas velhas roupagens: não se preocupam em baixar o tom da voz, em usar palavras leves, em não magoar os seus semelhantes.

O dinheiro continua comandando os humores e os sentidos.

A maioria sequer se preocupa em pensar em como o sol, após a tentativa de "apagamento" da lua, surge brilhante como sempre.

Com esses fatos ponho-me a pensar no poder do feminino: uma luazinha de nada frente ao sol imenso e poderoso o apaga, mesmo que seja por minutos e para os nossos olhos. Bom lembrar que esses minutos são os da trajetória da lua; caso durasse horas, dias ou a eternidade ele ficaria "apagado" pelo tempo que a lua-feminina determinasse.

Poder dos que caminham!

O sol permanece, sempre, em seu lugar com suas armas de fogo ameaçando a todos que ousarem encará-lo: a força pelo medo.

A lua suave e pequenina caminha e caminha e em seu caminhar consegue, além de alterar as marés, os nascimentos dos animais, o crescimento dos cabelos, o humor dos homens, o poder das mulheres, impedir o sol de brilhar...

Sonia Regina /1999

sábado, 5 de dezembro de 2009

ESSÊNCIA




Descobri, feliz, a essência de um ser.

Descobri, feliz, quão pouco a exterioridade representa.

Descobri, maravilhosa e claramente que a essência dos seres, com a certeza dos que procuram e encontram, não está em sua aparência exterior.

Olha-se as pessoas, percebe-se sua estrutura externa, as achamos estranhas aos nossos olhos e lembranças e constatamos naquela figura, nada familiar, a essência que um dia nos encantou e nos encanta ainda.

A forma se esvai, dilui-se em desgostos, dores ou no próprio tempo mas, em pormenores, que só nós sabemos existirem, só para nós eram importantes, encontramos a essência que brilha e nos guia como farol em alto-mar.

Feliz descubro que tudo que importa, de verdade, tudo que somos, realmente, reluz à nossa volta, permanece, sempre, conosco,em qualquer forma que tomemos...

Eu sou, ainda e para sempre, o que de melhor fui um dia e vejo você, para sempre, em momentos que se eternizaram em sua essência...

Encantada...
*

Sonia Regina/1998

terça-feira, 20 de outubro de 2009

TELEFONE DESLIGADO




Desligo o telefone
e esqueço o mundo,
esqueço o que me aborrece
ou assim parece.

Ao menos fico quieta,
calma, sem ter que explicar nada,
ou ouvir explicações.

Desligo o telefone
pra desligar a vida,
pra desligar pessoas
que, em certos momentos,
melhor não escutar.

Deixo-me estar calada
ordenando pensamentos,
acalmando sentimentos.

Porquê certas pessoas
insistem em falar
quando não as quero ouvir?

Desligo o telefone...

Sonia Regina/1992

terça-feira, 1 de setembro de 2009

SONHOS VAZIOS



Admirava-se com a capacidade de ainda ter sonhos... Aqueles sonhos que não se sonham mais, assim como alguns trajes que insistia em guardar no armário.

Sabia que jamais tornaria a usá-los, uma força maior a impedia de se desfazer deles.

Insistia em seus sonhos rosados, em falsos sorrisos embrulhados em papéis coloridos, envolvendo caixas vazias.

Precisava aprender a recusar seus próprios sonhos; precisava lembrar-se que eram embalados por canções de ninar que à ninguém fazia adormecer, que dirá sonhar...

Sonia Regina / 1991



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Este selinho me foi passado pela Anabela de Pedaços de Mim e tem um meme para ser respondido que é bem simples.

Responda e repasse
para cinco blogs de amigos leitores.

Vamos para as perguntas:

1)Que livro está lendo ou qual o último que leu?
-Estou lendo : A Lei dos Varões de Maurice Druon

-Último que li : A rainha Estrangulada de Maurice Druon

2)Qual livro preferido?
-Os Pilares da Terra de Ken Follet

3)Um livro que não consegue terminar de ler?
-Jamais consegui ler os livros de Jorge Amado

4)Aquele que não sai de sua cabeceira?
-O Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec

5)Escritor preferido?
-Florbela Espanca,Ken Follet,Rosamunde Pilcher,Fernando Pessoa

6)Eu recomendo?,
-Pilares da Terra,Mundo sem Fim ambos de Ken Follet

7)Eu não recomendo?
-Pornografia.

8)Passa este selo para quem?

-Angela Guedes, Neli de E O Pensamento Voa, Sandra de Curiosa, Kariny de Menina Robô e Carmen de Anseios da Alma.


Espero que apreciem a brincadeira!

Sonia Regina.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

DIAS DE CHUVA





Chove, chove muito! Chove há dias seguidos!

Tudo encharcado, sapatos molhados, friozinho fazendo doer as pernas.

Houve uma época em que vibrava muito em dias chuvosos. Nesses dias algo bom, grande florescia nela. Em plena chuva era toda ensolarada. Ficava feliz, quente e via o mundo colorido.

Ainda hoje, tanto tempo passado, sentia-se do mesmo modo e era uma pena que fosse assim, porque seus dias chuvosos - ensolarados tinham que ser abafados, mortos...

Preferia deixar isso pra lá! Que o sol, de verdade, viesse logo, seus rompantes primaveris se ressecassem e ela se acomodasse em seu calor sem graça e modorrento.

O que precisava mesmo era cortar os cabelos ...quem sabe se sentiria melhor?


Sonia Regina.



sábado, 1 de agosto de 2009

LIÇÕES DA NATUREZA



varandinha de meu apartamento



À varanda pequenina
as azaléias chegaram:
cada uma em seu vaso.

Uma, cor de rosa tímida, singela,
a outra, mais arrogante,
rosa forte, exibida.

Ambas floridas e lindas
até... que vindo o verão
ficaram feias, queimadas,
suas folhas se acabaram
e as flores pereceram...

Tentando a elas curar
dei-lhes um vaso maior,
juntas, unidas e tristes,
sem folhas, flores ou cores.

O ano foi se arrastando,
outono se aproximando,
e a olhar as azaléias,
vi que iam se alegrando.

Pontilhadas de botões,
folhas verdes aos montões
foram crescendo
felizes, viçosas, lindas!

Quando o inverno aconteceu
os botões, todos, se abriram
em exibida beleza;
e descobri que,
como algumas mulheres,
no inverno floresciam.






O lugar era pequeno
para conter tantas flores...
mas a lição mais bonita
ainda estava por vir.

A azaléia rosinha,
tímida, frágil, singela
unindo-se a arrogante
formaram uma terceira
que era a mistura das duas
e de ambas reunia
o que tinham de mais belo.

Desta historinha de flores
ficaram algumas lições:
nem sempre na primavera
ou no verão desta vida
é que nos surgem as flores;
no outono é a promessa
e no inverno é que florescem.

Mais uma lição me deram
as azaléias viçosas.
Se sozinhas eram belas,
unidas em mesmo solo,
deram o melhor de si
pra que terceira surgisse
orgulhosa das origens:
azaléia matizada
explodindo de beleza
na lição da natureza!!!


azaléia matizada



Sonia Regina


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EXIBO COM ORGULHO








Ontem no post sobre o trigal recebi este comentário e um e-mail que me fez muito feliz e muito orgulhosa!!!




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Um forte abraço,
Dário Dutra"

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Vocês todos muito influenciaram para que eu ganhasse este presente!!!

Sonia Regina.

terça-feira, 21 de julho de 2009

FIM DE FESTA





Em certa madrugada do ano 2000 ocorreu um eclipse lunar, dizem os astrônomos magnífico, o mais lindo do milênio que se esgotava.


Aconteceu em seu momento certo, e como tudo na roda da vida...passou.Quem abriu mão do sono para apreciá-lo, falará enlevado sobre ele; quem fechou os olhos, sob o forte poder da preguiça, engoliu a sensação de que perdeu a festa, que era de graça, de luxo e, jamais saberá, inesquecível.Por incluir-me nessa categoria senti-me frustrada e arrependida.


Assim é com a vida, com o mundo, com o destino.Os espetáculos felizes para todos acontecem a cada momento: basta saber a hora e o local adequados e comparecer para assistí-los, tomar posse deles ou segui-los.


Há que se resistir aos apelos mais fáceis: mais fácil dormir logo e, quem sabe, ter pesadelos; mais fácil permanecer onde se está quando bastavam alguns passos para se encontrar o caminho do arco-íris; mais fácil aceitar migalhas quando com um pouco de esforço e coragem poder-se-ia ser um dos convidados para o banquete da vida; mais fácil sujeitar-se do que deixar as algemas para trás e caminhar rumo à liberdade.


O eclipse lunar, último do milênio aconteceu e eu não vi!


Deus preparou seu magnífico espetáculo para mim também e pediu-me apenas que mantivesse meus olhos abertos mas eu escolhi dormir.


Quantas obras dessa grandiosidade Ele já não tem desejado mostrar-me e eu sequer me apercebi?

Todos os dias o sol nasce, todos os dias o sol se põe e eu nunca assisti a nem uma dessas exibições.

Que espécie de seres somos pessoas como eu?
Porquê nos queixamos?

Só nos é sugerido que estejamos atentos e deixemos o coração transbordar com os encantamentos a nós oferecidos diariamente.

Enquanto isso a mediocridade, a mesquinharia, manifestam-se no barulho, na gritaria, na algazarra que, mesmo contra nossa vontade, nos chama a atenção em revolta.

A beleza, a maravilha, os milagres acontecem nos silêncios das altas madrugadas e dos alegres e sorrateiros amanhecer.

Há que se estar alerta! Deus se revela nas horas quietas em que os menores nos convidam ao sono...

É preciso evitar-se as armadilhas!

Não vi o eclipse cor-de-rosa da lua...que me sirva de lição!


Sonia Regina/2000

sábado, 4 de julho de 2009

...ME VI TE LENDO...




"Que força levava aquela mulher a debruçar-se assim sobre o papel,com tanta urgência e tanto desvelo?

Será que alguém leria,algum dia,aquelas linhas? Pensei na frase ouvida certa vez de Carlos Heitor Cony: "Eu escrevo e ninguém toma providências". Aquela mulher escrevia e ninguém fazia nada.

O mundo passava por ela, indiferente, seguindo seu curso apressado, repleto de objetivos, enquanto ela continuava lá-escrevendo,simplesmente.Mas,afinal,por quê?

Ali estava eu,um estorvo no meio da rua,paralisada diante de uma mulher e sua pena.Manobrando,fui embora.E ela ficou para trás.Solitária,perdida em seu mundo silencioso,com o lápis na mão,tendo apenas os cães por companhia.

Nunca mais passei por lá,mas penso nela,às vezes.E,ao relembrar seus gestos,concluo:ela continuará escrevendo,sempre.Deve ser sua sina,a expiação necessária,vício solitário que a condena e escraviza,mas que também a redime,salvando-a da morte e da loucura.Sim,ela seguirá escrevendo,podem estar certos.Porque é preciso."


Desconheço o autor,postado por Sonia Regina.

domingo, 24 de maio de 2009

VIDAS QUE TEMOS EM PARALELO


Encontrei esta crônica em meus guardados e a li como resposta ao meu post anterior,PAZ.Julguei ser interessante passá-la aos amigos.

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Aquilo que não se viveu,mas intuiu,percebeu ou sentiu,prolongando-se,vivendo vidas à parte da que vivemos.Paralelas reais.É o invivido,se me permitem inventar a expressão:in quer dizer dentro,ou seja,o indivíduo é o que existe e se prolonga apenas dentro do ser.

Em alguma parte da fantasia,do espaço ou do limbo das percepções,vivem(livres e lindas)as vidas impedidas de viver na vida concreta da gente.

Aquele olhar que você ganhou um dia;aquele começo de afinidade;a manobra perdida;o romance interrompido apenas iniciado;tudo prosseguiu.A frustração pelo não vivido talvez contenha a mais rica e intensa das histórias.

Quanto mais ricas de vidas não vividas,mais intensa a pessoa,porque capaz de gerar uma quantidade de instâncias humanas de possibilidades e de expectativas que viveram no território mágico e misterioso do invivido.

Ou seja,o vivido apenas num espaço e tempo além de nossa percepção aparente,além da realidade objetiva,mas real.Quanto mais carregada de vida invivida,mais capaz a pessoa de criar inesgotáveis emoções,maiores até do que a sua própria.

E é preciso ter grandeza para construir vidas que só existem no invivido,superiores em qualidade a esta vivida,que levamos como fardo,tarefa,missão ou glória.

Não chore a sua frustração.Ela foi apenas a resposta NÂO!dada pela vida vivida,para a capacidade monumental que você tem (e não sabe) de ampliar as fronteiras da vida invivida.Você é capaz de querer tanto,você sabe ser possível viver tanto que a vida vivida é pouca e pequena.

A vida vivida conterá apenas a sua normalidade,a sua capacidade de ser objetivo,de fazer e construir as poucas coisas ou as muitas poucas coisas concretas.

A vida vivida jamais avaliará os tesouros de afetos dedicados à vida invivida,uma maravilha alimentada pela fantasia e que se prolonga nas possibilidades secretas do não existente.

Arthur da Távola

quarta-feira, 15 de abril de 2009

MOINHOS DE VENTO



O ser humano é motivado pela dificuldade,cada impecilho serve-lhe de impulso para continuar...

Tudo que lhe seja fácil,pouco a pouco,o faz buscar caminhos de aventuras.

Pobre ser humano que passa a vida a lutar contra inimigos inexistentes porque isto lhe traz a sensação de que vive mais intensamente!!!

Sonia Regina.

sábado, 4 de abril de 2009

INSTANTES


Se eu puder viver novamente,tratarei de cometer mais erros,não tentarei ser tão perfeita,relaxarei mais.
Na nova vida serei mais tola do que tenho sido,na verdade muito pouco levarei à sério,serei bem menos exigente comigo e com o outro.

Correrei mais riscos,viajarei mais,comtemplarei mais o por-do-sol;subirei montanhas,nadarei nos rios.Irei a lugares onde nunca fui,tomarei mais sorvete e menos café,terei mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Sou dessas pessoas que vive sensata e produtivamente cada minuto da vida.É claro que tive muitos momentos de alegria!Se pudesse voltar a viver,trataria de ter somente bons momentos,porque disto é feita a vida,só de momentos,não se pode perder o agora.

Sou dessas pessoas que nunca vai a parte alguma sem o termômetro,os comprimidos para a dor que poderei ter,uma bolsa de água quente,um guarda-chuva e um...para-quedas.Se voltar a viver viajarei mais leve;começarei a andar descalça no começo da primavera e continuarei assim até o fim do outono;darei mais voltas na minha rua,apreciarei mais "amanheceres" e brincarei mais com as crianças...se tiver outra vida pela frente.

Quem sabe consiga me deseducando,ainda nesta vida,aproveitar os anos que me esperam,antes que a morte me surpreenda e me deixe sem a certeza de que voltarei a viver.

Sonia Regina/1994
(adaptação de crônica de Jorge Luis Borges)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

TEMPO


Perdi a cronologia do tempo...

Quem sabe se a ordem desses dias teve, de fato, alguma importância?

Sigo sem ordem, sem dias marcados, sigo apenas com o meu sentimento, porque sou um ser humano, sou uma mulher...nenhum instinto, só sentimento...

Sonia Regina.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A VIDA É UM TEATRO



Pensava na teatralidade da vida. Quem dirigia? Quem escolhia o elenco? Quem determinava aquele que faria o papel principal? Quem executava os cenários? E os diálogos e enredos, quem os escrevia? O público, de onde vinha? Era convidado ou pagava pelo ingresso?

De um fato estava certa: seu papel neste espetáculo não se ajustava ao seu talento, assim como as pessoas sem talento obtinham papéis de destaque.
Pensava, pensava... Suas falas- sabia de tudo que trazia guardado dentro de si- eram aquém do que sentia e podia. Os aplausos nunca lhe eram dirigidos.

Quem sabe, não, com certeza não se permitira libertar a voz e o sentimento que borbulhavam dentro dela. Juntou-se, ou a juntaram à companhia e ao diretor errados que não souberam fazê-la "soltar" o que sentia e sabia.
A ela e somente a ela cabia a responsabilidade dos escassos aplausos e do pouco reconhecimento da crítica e platéia.

Conformara-se com qualquer enredo, sem sair em busca do texto, que lhe tocando a alma faria seu talento inteiro aparecer e os aplausos explodirem.
O teatro da vida...
Há que se ter pressa pois as temporadas se esgotam e passando-se pelo tempo já não existirá peça em que se possa atuar.

Ninguém dirige o teatro da vida, ninguém escolhe atores ou autores.
Descobriu que ela mesma é que escolhera com quem, o que e onde iria representar. Bastaria ter usado bem o seu talento e buscado o seu sucesso sem se importar se iria deixar abertos espaços nas peças que outros montaram para eles mesmos e a colocaram como coadjuvante.

Ao apagar das luzes da vida percebeu, afinal, que neste teatro há que se ser o ator principal, pois o resto é figuração!
***

Sonia Regina / 2000

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O FIO PARTIDO



Era tecelã de sua vida. Tecendo seu tapete pretendia contar a sua história e a de seus queridos. Fazia-o com capricho, com o cuidado de traçá-lo em fio único, sem emendas. O fio com que trabalhava não podia romper-se e, para isso, procurava ter gestos e atitudes leves para que nada interferisse em seu trabalho que deveria ser perfeito.

Procurava tecer quase todos os dias, alguns, demorando mais horas, outros, apenas alguns minutos, sempre com o longo novelo preso em suas mãos e com cuidado para que o fio não se rompesse. Tapetes valiosos são urdidos com fio único, esse é o grande valor de um bom tapete. Variava os motivos de sua arte; bordava flores, pássaros, crianças, adultos... tecia amor.

Assim o fez por muitos anos e naquele tapete ia relatando as fases de sua vida. Pessoas à sua volta admiravam-se com sua paciência e perseverança; sua tranquilidade, sua habilidade, seu saber. Insistiam para que desistisse, afinal aquela preocupação em manter o fio único,pensavam elas, era uma tortura. Não para ela...

Eles não sabiam que a intenção que tinha era deixar gravado no seu tapete tecido com fio sem emendas todos os momentos que passara com seus amados. Quando partisse para Deus, se não continuassem seu trabalho, ao menos teriam ali, por inteiro a história difícil, e por isso linda, que viveram juntos.

Porém, o tempo passa, as mãos ficam mais trêmulas, a paciência decresce e, um dia, ao tecer, distraiu-se e num gesto mais brusco puxou o fio com excesso de força e... ele se rompeu. Olhando aquele fio partido pensou que tudo havia se acabado, seu trabalho de tantos anos... Mas era teimosa e resolveu experimentar emendar o cordão. Até o conseguiu e pensou: - Quem sabe ninguém percebe e posso continuar a tecer.

Continuou, mas a medida que o trabalho se desenvolvia a marca do fio partido, a emenda, tornava-se mais visível. Era uma falha impossível de não ser vista. No entanto, prosseguiu assim mesmo, sempre com um peso no coração e com as mãos entorpecidas pela certeza do erro. Não interrompeu sua trama.

Agora as pessoas já não a olhavam com admiração, achavam graça da insistência dela. Para quê tecer um tapete defeituoso que não teria valor algum? Esqueciam-se do tempo em que o fizera com perfeição.... Alguns anos depois era chegada a hora de encontrar-se com Deus e nos últimos instantes nesta terra pediu aos que a rodeavam que a envolvessem em seu tapete, pois se não tinha valor queria levá-lo consigo, de nada valia deixá-lo com eles pois suas histórias haviam se rompido com aquele fio partido.

Para surpresa de todos ao esticarem o tapete para fazer o que pedira, o próprio peso do trabalho fez com que o defeito se acomodasse e não fosse mais percebido. Ela sabia que ele estava lá, mas seus queridos diziam que deixasse o enorme tapete com eles pois não viam nada que o desvalorizasse.

Não a convenceram, ela sabia do seu erro e seguiu para Deus envolvida no lindo tapete tecido em flores, pássaros, crianças e adultos. Lá, onde Deus habita pretendia oferecê-lo aos anjos que, por sua pureza, não fazem julgamentos, enxergam apenas a beleza das obras que realizamos....

"Errei ao tecer meu tapete, mas não no amor com que o teci."

Sonia Regina / maio de 2008

sábado, 24 de janeiro de 2009

EU E O RIO


foto do artista João Menéres,do blog Grifo Planante

Rio,caminho que anda,
e vai resmungando,talvez,uma dor.
Ah! quanta pedra levaste,
quanta pedra deixaste,sem vida e amor.

Vens,lá do alto da serra,
o ventre da terra,rasgando sem dó!
Eu também,venho do amor,
com o peito rasgado de dor e tão só!

Não viste a flor se curvar,
teu leito beijar e ficar lá pra traz.
Tens a mania doente de andar só pra frente,
não voltas jamais...

Rio,caminho que anda,
o mar te espera,não corras assim...
Eu sou o mar que espera,
alguém,que não corre pra mim...

Luiz Antonio,postado por Sonia Regina.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

FILOSOFANDO (2)


A alma em devaneio caminha devagar...quando se sonha não se tem pressa de chegar...

Sonia Regina.

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!
Luar dando espetáculo na praia da Boa Viagem!"