QUEM SOU EU...
"Ninguém pode calar dentro em mim esta chama que não vai passar, é mais forte que eu e não quero dela me afastar....
Eu não posso explicar quando foi e nem quando ela veio, mas só digo o que penso, só faço o que gosto e aquilo em que creio..."(Maysa)
Com as outras dores fazem-se versos...com as que doem,grita-se! (Fernando Pessoa)
Quem "grita" como eu......
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
HORIZONTES
Saudades dos lugares que não visitei,
das viagens que não fiz,
das praias ensolaradas
em cujas areias jamais pisei.
Saudades das pessoas
que não conheci,
dos campos verdes
por onde não corri,
da neve branca
que jamais toquei.
Ao chegar ao mundo
ele estava à minha espera
com todas as belezas
e pessoas que havia nele...
Eu tinha o tempo que
outros não tiveram
para conhecê-lo.
O tempo passou,
o mundo permaneceu...
eu não saí do lugar,
não me deixei chegar
ao horizonte e
dele me perdi.
Já não existem horizontes,
sequer na minha janela
que permanece fechada.
Irei embora
e o mundo ficará
com os lugares aonde não fui:
as praias que não pisei,
pessoas que não conheci,
campos verdes por onde
não corri e a neve branca
que jamais toquei...
*****
Sonia Regina/1993
terça-feira, 15 de setembro de 2009
VOANDO

Não quero mais sonhar! Quero viver!
O impossível se acaba em si mesmo!
Nada modifica sua essência.
Cada ser é moldado em sua fôrma própria.
Óleo e água não se misturarão jamais.
Como alcançar as estrelas sem se abandonar o chão?
Minhas estrelas, lá, onde desejo chegar são distantes e muito altas.
Preciso de coragem para começar a subir.
Solto as amarras como um balão de gás e me deixo voar:
lá vou eu...
Sonia Regina/1983
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
LETRAS

Letras, frases e palavras me encantam. Quando se juntam, algumas letras, harmonizam-se de tal modo que é saboroso pronunciá-las e uma arte escrevê-las.
Há as que evocam emoções jamais experimentadas, as que nos trazem sentimentos vividos e as que servem de alavanca para o cérebro acelerar-se em busca de futuros cobiçados.
Palavras nos estimulam, nos fazem sonhar, nos levam aonde desejarmos.Que sejam palavras escritas, jamais faladas, pois essas se vão, se perdem no momento exato em que são proferidas, falseiam, mentem.
Gosto de listar palavras bonitas e, quando me canso do ato mecânico de escrever, admiro as letras onde coloco todo o meu capricho como se elaborasse uma obra de arte.
Gosto de trabalhar com letras e palavras escritas e me encanta o modo como conseguem expressar meus pensamentos, o que não consigo quando os apresento falando. Atuam como arma registrando os melhores e os piores "sentires e pensares".
Quem as usa, escrevendo sempre, dispensa analista, massagista,terapeutas de qualquer espécie...Palavras escritas, tesouro e arma maior que possuo: meu namorado, meu amor, meu amigo, meu confessor, meu médico.
Guardam todos os meus segredos, emoções, alegrias e tristezas. Com elas posso dizer tudo que me chegue ao pensamento e tudo que magoe o coração. Palavras escritas levam-me a viagens, onde quer que meu sentimento ordene. Viajo sem passaporte, sem dinheiro, sem cansaço.
Encontro pessoas e as crio como desejo, com personalidades que me agradem. Palavras, meu vício maior, com elas liberto-me de outros vícios menores. Abençoadas letras, formando palavras e abençoados aqueles que me guiaram em seu uso!
Sonia Regina/1999
terça-feira, 23 de junho de 2009
IMPORTANTE É VIVER EM PAZ

Ser homem não é brincar de viver;
ser homem não é brincar de ser valente;
ser valente não é empunhar armas contra os mais fracos;
ser fraco não é temer a irracionalidade dos animais;
ser animal não é soltar seus instintos desenfreadamente;
ter instintos é perceber-se ,exatamente,
o momento de colocar-se em espreita;
espreitar é aguardar o instante exato de partir ou de lutar;
lutar,nem sempre,é agredir,muitas vezes é manter-se quieto,em paz;
estar quieto e em paz,seja ou não por agressão,
com certeza,
é VIVER!
Sonia Regina,
segunda-feira, 8 de junho de 2009
PRETENSÃO

Vida convida para recepção diária
oferecida a pessoas escolhidas
nos salões do mundo inteiro.
Estranho...o convide dela não chegara...
Pensou:terá se extraviado por aí?
Será que a vida a havia esquecido?
Quem sabe ainda vai chegar...
Ou então,fora mesmo excluída
da lista de convidados,ou pior,
fora mesmo esquecida.
Pobre vida,não sabe a falta
que fará em sua festa:
um brilho a menos em seus salões...
Sonia Regina/1990
quinta-feira, 14 de maio de 2009
MANSIDÃO DAS FONTES

As fontes,quanto mais jorram água de seus mananciais mais os homens procuram usufruir deles.Tentam transformá-los em lagos,barragens e saem por aí inundando tudo como se os tivessem criado.
Esquecem que a água com que constroem suas "grandes obras" nasceu e pertence à uma fontezinha escondida no fundo da mata.Esquecem também,que essa fonte pode vir a extinguir-se ou mudar de curso pelos meandros subterrâneos da terra.
Para que servirá a barragem deles?
Hoje,sinto-me como a fontezinha de onde amealharam as águas cristalinas e as "barraram".Penso,subitamente que a fonte,de repente,multiplica suas águas e nesta ampliação transborda o lago,arrebenta as comportas que as prendem e,em sua força maleável e,por isso invencível,destrói os paredões de pedra e suas águas se espalham por onde desejam.
Corre-se o risco de que águas tão doces e mansas esmaguem,afoguem o que quer que tente deter o seu curso...
Sonia Regina/2000
sexta-feira, 24 de abril de 2009
ENVELHECER :COM MEL OU FEL?

Conheço muitas pessoas que estão envelhecendo mal. Desconfortavelmente. Com uma infelicidade crua na alma. Estão ficando velhas, mas não estão ficando sábias. Um rancor cobre-lhes a pele, a escrita e o gesto. São críticos azedos, aliás estão ficando cítricos sem nenhuma doçura nas palavras.
Estão amargos. Com fel nos olhos.E alguns desses, no entanto, teriam tudo para ser o contrário : aparentemente tiveram sucesso em suas atividades. Maior até do que mereciam. Portanto a gente pensa : o que querem? Por que essa bílis ao telefone e nos bares ? Por que esse resmungo pelos cantos e esse sarcasmo que se pensa humor ? Isto está errado. Errado, não porque esteja simplesmente errado, mas porque tais pessoas vivem numa infelicidade absurda.
E, ademais, deveria-se envelhecer maciamente. Nunca aos solavancos. Nunca aos trancos e barrancos. Nunca como alguém caindo num abismo e se agarrando nos galhos e pedras, olhando enquanto despenca. Jamais também, como quem está se afogando, se asfixiando ou morrendo numa câmara de gás.Envelhecer deveria ser como plainar. Como quem não sofre mais (tanto), com os inevitáveis atritos.
Assim como a nave que sai do desgaste da atmosfera e vai entrando noutro astral, e vai silente, e vai gastando nenhum-quase combustível, flutuando como uma caravela no mar ou uma cápsula no cosmos.Os elefantes, por exemplo, envelhecem bem. E olha que é uma tarefa enorme. Não se queixam do peso dos anos, e nem da ruga do tempo, e , quando percebem a hora da morte, caminham pausadamente para um certo lugar - o cemitério dos elefantes, e aí morrem, completamente, com a grandeza existencial só aos sábios permitida.
Os vinhos envelhecem melhor ainda. Ficam ali nos limites de sua garrafa, na espessura de seu sabor, na adega do prazer. E vão envelhecendo e ganhando vida, envelhecendo e sendo amados, e, porque velhos, desejados. Os vinhos envelhecem densamente. E dão prazer.O problema da velhice também se dá com certos instrumentos. Não me refiro aos que enferrujam pelos cantos, mas a um envelhecimento atuante como o da faca.
Nela o corte diário dos dias a vai consumindo. E no entanto, ela continua afiadíssima, encaixando-se nas mãos da cozinheira como nenhuma outra faca nova.Vai ver, a natureza deveria ter feito os homens envelhecerem diferente. Como as facas, digamos, por desgaste, sim, mas nunca desgastante. Seria uma suave solução: a gente devia ir se gastando, se gastando, se gastando até se evaporar. E aí iam perguntar: cadê fulano? E alguém diria: gastou-se foi vivendo, vivendo, e acabou. Acabou, é claro, sem nenhum gemido ou resmungo.
Isto seria muito diferente de ir envelhecendo por um processo de humilhações sucessivas, como essa coisa de ir deixando rins, pulmões, dentes e intestinos pelas mesas de cirurgia, numa mutiladora dispersão.
Acho que o que atrapalha alguns maus envelhecedores é a desmesurada projeção que fizeram de si mesmos. Se dimensionaram equivocadamente. Deveria ser proibido, por algum mecanismo biológico, colocarmos metas acima de nossas forças.Seria a única solução de acabar com a fábula da raposa e as uvas. Assim a raposa não envelheceria resmungando por não ter devorado o que não lhe pertencia.
Deveria, portanto, haver um relais, que desligasse nossos impulsos toda vez que quiséssemos saltar obstáculos para os quais não temos músculos.Assim sofreríamos menos e não amargaríamos não ter tido certas mulheres, conquistado certos reinos, escrito certas obras primas.A literatura tem lá seus personagens-símbolos a esse respeito: o Fausto e Dorian Gray.
Apavorados com a velhice e a morte, venderam a alma ao diabo, e em troca pediram a juventude de volta. Não deu certo. O diabo não joga para perder. Dizem que a única vez que foi realmente derrotado foi naquela disputa com o próprio Deus a respeito de Jó. Mesmo assim, deu um trabalho danado.Especialistas vão dizer que envelhece mal o indivíduo que não realizou suas pulsões eróticas essenciais; que deixou coagulada ou oculta uma grande parte de seus desejos.
Isto é verdade. Parcial porém. Pois não se sabe por que estranhos caminhos de sublimação, há pessoas que, embora roxas de levar tanta pancada da vida, têm, contudo, um arco-íris na alma.Bilac dizia que a gente deveria aprender a envelhecer com as velhas árvores. Walt Whitman tem um poema onde vai dizendo: " Penso que podia viver com os animais que são plácidos e bastam-se a si mesmos".Ainda agora tirei os olhos do papel e olhei a natureza em torno. Nunca vi o sol se queixar no entardecer. Nem a lua chorar quando amanhece.
Affonso Romano de San'tanna.30/07/1987
sexta-feira, 17 de abril de 2009
O TRIGAL

No trigal aprendeu a vida.
Ali,junto aos companheiros,presos à imobilidade,aprendeu a paciência.Paciência de esperar o sol
nascer para aquecê-la da umidade do orvalho.Paciência de esperar o ocaso para que o sereno pudesse refrescá-la do calor do sol.E a vida transcorria num dia-a-dia de espera e paciência.
Aprendeu,também,a alegria simples de bailar com a brisa,mesmo que o bailado não a levasse a lugar algum.Alegrava-se com a delícia do balançar e com o frescor da brisa que a acalentava.O sol a fez dourar.Renasceu,sabendo do valor da espera,da paciência e da alegria das coisas simples.
Renasceu,sabendo de horizontes que avistava do alto de sua imobilidade.Renasceu,ainda,com a sensação de que esses horizontes não poderiam ser alcançados,apenas admirados e festejados ao nascer do sol somente por existirem.
Renasceu sabendo muito de esperar e não tanto de sair do lugar...Tentou ser diferente,convencer-se que era gente,começar a caminhar;a sensação das raízes permaneceu e bailou ao vento. A beleza do bailado a embriagou e refletiu que importante é se deixar evoluir com a brisa...e a imobilidade permaneceu!
SoniaRegina/1993
terça-feira, 7 de abril de 2009
ESSÊNCIAS

Não sou esta casca
que me esconde;
não sou esta amargura
onde me escondo.
Cresci em sóis e brisas,
em jardins,em arvoredos,
em perfumes e presenças.
Não sou tudo que me falta:
sou a lembrança do amor,
sou a lembrança dos beijos,
sou a chuva,o frio,
o vento amigo,
sou a chama ardendo no meu peito.
Como não sou,não és
o corpo que te abriga,
o corpo que te obriga
a atrasar teu passo
e estar longe daqui...
Não somos corpo somente,
somos a alma imortal,
que é o que nos faz gente,
que é o que nos faz feliz.
Tudo de bom que tivemos,
nossos melhores "sentires",
nossos melhores momentos
em nossas almas estão
gravados em amor e doçuras.
Somos nós prisioneiros
de corpos que têm saudade
de momentos,sempre inteiros,
de pura felicidade,
guardados no coração,
perdidos na mocidade.
Sonia Regina/2000
quarta-feira, 11 de março de 2009
AS NUVENS SE VÃO COM O SOL!!!

Quando o céu se enche de nuvens negras o sol é incapaz, mesmo com toda a sua força de atravessá-las e se fazer notar, nos aquecendo. Mas ele está lá! Nem por um instante deixou de lançar raios de luz e calor a quem estivesse sob essas nuvens.
Apenas não o percebemos.
As nuvens, mesmo que demorem alguns dias, sempre se acabam em si mesmas, gastam-se em seu próprio peso retornando à terra e quem permanece é o sol.
Deve-se aguardar, com serenidade, que as nuvens se espalhem e se desfaçam....
****
Sonia Regina / 1993
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NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!
Luar dando espetáculo na praia da Boa Viagem!"
