QUEM SOU EU...


"Ninguém pode calar dentro em mim esta chama que não vai passar, é mais forte que eu e não quero dela me afastar....



Eu não posso explicar quando foi e nem quando ela veio, mas só digo o que penso, só faço o que gosto e aquilo em que creio..."(Maysa)



Com as outras dores fazem-se versos...com as que doem,grita-se! (Fernando Pessoa)













Quem "grita" como eu......

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terça-feira, 23 de junho de 2009

IMPORTANTE É VIVER EM PAZ


Ser homem não é brincar de viver;
ser homem não é brincar de ser valente;
ser valente não é empunhar armas contra os mais fracos;
ser fraco não é temer a irracionalidade dos animais;
ser animal não é soltar seus instintos desenfreadamente;
ter instintos é perceber-se ,exatamente,
o momento de colocar-se em espreita;
espreitar é aguardar o instante exato de partir ou de lutar;
lutar,nem sempre,é agredir,muitas vezes é manter-se quieto,em paz;
estar quieto e em paz,seja ou não por agressão,
com certeza,
é VIVER!


Sonia Regina,

sexta-feira, 24 de abril de 2009

ENVELHECER :COM MEL OU FEL?



Conheço muitas pessoas que estão envelhecendo mal. Desconfortavelmente. Com uma infelicidade crua na alma. Estão ficando velhas, mas não estão ficando sábias. Um rancor cobre-lhes a pele, a escrita e o gesto. São críticos azedos, aliás estão ficando cítricos sem nenhuma doçura nas palavras.

Estão amargos. Com fel nos olhos.E alguns desses, no entanto, teriam tudo para ser o contrário : aparentemente tiveram sucesso em suas atividades. Maior até do que mereciam. Portanto a gente pensa : o que querem? Por que essa bílis ao telefone e nos bares ? Por que esse resmungo pelos cantos e esse sarcasmo que se pensa humor ? Isto está errado. Errado, não porque esteja simplesmente errado, mas porque tais pessoas vivem numa infelicidade absurda.

E, ademais, deveria-se envelhecer maciamente. Nunca aos solavancos. Nunca aos trancos e barrancos. Nunca como alguém caindo num abismo e se agarrando nos galhos e pedras, olhando enquanto despenca. Jamais também, como quem está se afogando, se asfixiando ou morrendo numa câmara de gás.Envelhecer deveria ser como plainar. Como quem não sofre mais (tanto), com os inevitáveis atritos.

Assim como a nave que sai do desgaste da atmosfera e vai entrando noutro astral, e vai silente, e vai gastando nenhum-quase combustível, flutuando como uma caravela no mar ou uma cápsula no cosmos.Os elefantes, por exemplo, envelhecem bem. E olha que é uma tarefa enorme. Não se queixam do peso dos anos, e nem da ruga do tempo, e , quando percebem a hora da morte, caminham pausadamente para um certo lugar - o cemitério dos elefantes, e aí morrem, completamente, com a grandeza existencial só aos sábios permitida.

Os vinhos envelhecem melhor ainda. Ficam ali nos limites de sua garrafa, na espessura de seu sabor, na adega do prazer. E vão envelhecendo e ganhando vida, envelhecendo e sendo amados, e, porque velhos, desejados. Os vinhos envelhecem densamente. E dão prazer.O problema da velhice também se dá com certos instrumentos. Não me refiro aos que enferrujam pelos cantos, mas a um envelhecimento atuante como o da faca.

Nela o corte diário dos dias a vai consumindo. E no entanto, ela continua afiadíssima, encaixando-se nas mãos da cozinheira como nenhuma outra faca nova.Vai ver, a natureza deveria ter feito os homens envelhecerem diferente. Como as facas, digamos, por desgaste, sim, mas nunca desgastante. Seria uma suave solução: a gente devia ir se gastando, se gastando, se gastando até se evaporar. E aí iam perguntar: cadê fulano? E alguém diria: gastou-se foi vivendo, vivendo, e acabou. Acabou, é claro, sem nenhum gemido ou resmungo.

Isto seria muito diferente de ir envelhecendo por um processo de humilhações sucessivas, como essa coisa de ir deixando rins, pulmões, dentes e intestinos pelas mesas de cirurgia, numa mutiladora dispersão.

Acho que o que atrapalha alguns maus envelhecedores é a desmesurada projeção que fizeram de si mesmos. Se dimensionaram equivocadamente. Deveria ser proibido, por algum mecanismo biológico, colocarmos metas acima de nossas forças.Seria a única solução de acabar com a fábula da raposa e as uvas. Assim a raposa não envelheceria resmungando por não ter devorado o que não lhe pertencia.

Deveria, portanto, haver um relais, que desligasse nossos impulsos toda vez que quiséssemos saltar obstáculos para os quais não temos músculos.Assim sofreríamos menos e não amargaríamos não ter tido certas mulheres, conquistado certos reinos, escrito certas obras primas.A literatura tem lá seus personagens-símbolos a esse respeito: o Fausto e Dorian Gray.


Apavorados com a velhice e a morte, venderam a alma ao diabo, e em troca pediram a juventude de volta. Não deu certo. O diabo não joga para perder. Dizem que a única vez que foi realmente derrotado foi naquela disputa com o próprio Deus a respeito de Jó. Mesmo assim, deu um trabalho danado.Especialistas vão dizer que envelhece mal o indivíduo que não realizou suas pulsões eróticas essenciais; que deixou coagulada ou oculta uma grande parte de seus desejos.


Isto é verdade. Parcial porém. Pois não se sabe por que estranhos caminhos de sublimação, há pessoas que, embora roxas de levar tanta pancada da vida, têm, contudo, um arco-íris na alma.Bilac dizia que a gente deveria aprender a envelhecer com as velhas árvores. Walt Whitman tem um poema onde vai dizendo: " Penso que podia viver com os animais que são plácidos e bastam-se a si mesmos".Ainda agora tirei os olhos do papel e olhei a natureza em torno. Nunca vi o sol se queixar no entardecer. Nem a lua chorar quando amanhece.



Affonso Romano de San'tanna.30/07/1987

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

DEDICATÓRIA


Jesus, irmão em Deus,

que talento a mim deu para sonhar;

Jesus,i rmão em Deus,

que talento a mim deu para esperar;

Jesus, irmão em Deus,

que talento a mim deu pra receber;

Jesus, irmão em Deus,

o talento usarei pra agradecer!

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Agradeço pelo nascimento de Júlia, menina linda, filha de minha sobrinha Paula, muito querida!!!


Meu irmão em Deus, Jesus, olhe e zele por ela e seus pais!!!
****


Sonia Regina

sábado, 24 de janeiro de 2009

EU E O RIO


foto do artista João Menéres,do blog Grifo Planante

Rio,caminho que anda,
e vai resmungando,talvez,uma dor.
Ah! quanta pedra levaste,
quanta pedra deixaste,sem vida e amor.

Vens,lá do alto da serra,
o ventre da terra,rasgando sem dó!
Eu também,venho do amor,
com o peito rasgado de dor e tão só!

Não viste a flor se curvar,
teu leito beijar e ficar lá pra traz.
Tens a mania doente de andar só pra frente,
não voltas jamais...

Rio,caminho que anda,
o mar te espera,não corras assim...
Eu sou o mar que espera,
alguém,que não corre pra mim...

Luiz Antonio,postado por Sonia Regina.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

MINHAS ORIGENS


Nasci em Niterói e são de lá minhas melhores lembranças.Nasci em uma casa pequenina e adorável que até hoje lá se encontra exatamente do jeito que sempre foi... Aos cinco anos mudamos para uma casa maior, com varanda, jardim,quintal e árvores frutíferas; ficava no bairro da Boa Viagem que é essa praia que aparece na foto.


Neste bairro e nesta praia vivi os momentos mais felizes de minha vida! Deste lugar são minhas melhores lembranças...Íamos à praia no verão e no inverno, com sol ou chuva. Lembro-me que em 1958, quando o Brasil ganhou a Copa do Mundo chovia muito e fazia frio e nosso grupo foi para a praia para ouvir o jogo, todos de maiô (não se assustem era 1958) e calção de banho e por cima agasalhos de lã.

Para nos proteger da chuva armamos a barraca de sol e ali ficamos torcendo, felizes. Inesquecível!!! Neste bairro cresci, vi meu pai partir para nunca mais e encontrei meu primeiro namorado, exatamente no dia em que minha irmã mais nova nasceu... Chamava-se Edgard e nunca existiu amor mais bonito nem mais puro.



Às quartas, sábados e domingos nos encontrávamos às quatro horas da tarde e nos sentávamos no mesmo banco, sempre, da praça Nilo Peçanha. A praça e o banco ainda estão lá.. "A mesma praça o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim..." Havia ainda os bailinhos na casa de Tio Zé e Tia Georgette, onde dançávamos ao som de Ray Coniff, The Platters, Elvis Presley e outros que me fogem à lembrança...

Dias abençoados e risonhos em que achávamos que todos os nossos desejos se realizariam... Não se realizaram muitos deles mas a minha praia, o meu bairro, a minha terra esses permaneceram e, de vez em quando fujo até lá para matar a saudade. Essa foto foi feita numa dessas escapadas... Aos poucos vou contar minhas histórias!!!

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Sonia Regina.

sábado, 3 de janeiro de 2009

UMA HISTÓRIA PARA VANUZA PANTALEÃO




Corria a década de 60, acredito que 1965 e eu aos 21 anos, já formada professora, gostava muito de cantar, para ser absolutamente sincera, sentia-me cantora, tocava um violão, ou pensava que o fazia. Naquela época o termo era "bater um violão".

A mocidade era mantida sob controle dos pais e, com o meu irmão mais velho,tinha que ser, sozinha jamais, frequentávamos um clube na Tijuca que às quartas-feiras oferecia em sua programação uma "noitada":"O devaneio musical", rsrsrs!

Ficávamos, um grupo de jovens, alguns tocavam, a sério,instrumentos, a conversar, cantar muito e nos maravilhando uns com os outros e conosco mesmos. Nos sentíamos os artistas.

No clube víamos a noite passar para desespero de minha mãe, pois no dia seguinte eu tinha que ir trabalhar, em Bangu, e lá chegar às sete horas. Pobre mãe que me esperava, por volta das cinco com um copo de leite OFCO ( foi o pai dos leites integrais de caixinha) , que era considerado o leite mais forte e saudável. Eu era magrinha, aliás ainda sou, e a mãe preocupava-se com a minha saúde.

Muitas vezes, muitas mesmo, nos finais de noite apareciam artistas verdadeiros por lá, creio que também estavam terminando as suas noites e iam ver o que aqueles jovens metidos faziam, alguns elogiavam, devia ser por estímulo. Por lá passaram Wilson Simonal ( eu até fiz um dueto com ele) ,Tim Maia, Jorge Ben, Ellen de Lima, compositores, músicos.

Certa noite por lá surgiu,com um grupo um homem magro, bonito, pálido e interessante, principalmente por ser mais velho que o grupo em geral, talvez uns vinte ou trinta anos a mais o que não lhe diminuía o encanto.

Sentou-se conosco, tomou cerveja e alguém entoou a canção "Estão chegando as flores". O grupo fez coro e ele tomou parte nele. Quando a canção terminou todos aplaudiram, na verdade a si mesmos, pois nos achávamos o máximo.

A voz de um dos que chegaram com ele nos perguntou se conhecíamos o autor da música que era nova nos repertórios. Ninguém respondeu e ele nos foi apresentado: - Este é o Paulo Soledade, o autor deste hino que acabaram de aplaudir.

Nós ficamos meio sem graça, e um de nós, para dizer alguma coisa declarou que era a Saudação à Primavera da MPB. O Paulo tornou-se sério e disse que a música era uma saudação à vida. Relatou que estivera seriamente doente (teve tuberculose) e quando começou a sentir-se melhor, pela janela, viu a beleza do sol, reparando que chegavam, vindo pela rua, sua mulher e sua filha e sentiu-se agradecido por estar se recuperando, confessando que dali para diante olharia com mais cuidado por sua saúde (daí o nome da canção ser "Estão chegando as flores!)

Todos ficaram em silêncio, aquele que baixa quando se sente que se fez algo errado e daí ele deu um sorriso cativante e pediu ao conjunto que tocasse a música novamente. Desta vez, ele mesmo iniciou o canto com um sorriso iluminado. Logo todos já cantávamos juntos e neste dia vimos o dia clarear.Confesso que meus alunos, no dia seguinte, não tiveram aula,pois a professora faltou...

Confesso, também, que fiquei algumas semanas sem frequentar os Devaneios: a mãe da professora-cantora a deixou de castigo e ela obedeceu!!!

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Sonia Regina
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ESTÃO CHEGANDO AS FLORES



Composição: Paulo Soledade



Vê, estão voltando as flores
Vê, nessa manhã tão linda
Vê, como é bonita a vida
Vê, há esperança, ainda

Vê, as nuvens vão passando
Vê, um novo céu se abrindo
Vê, o sol iluminando
Por onde nós vamos indo


postado por Sonia Regina.

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!
Luar dando espetáculo na praia da Boa Viagem!"