QUEM SOU EU...


"Ninguém pode calar dentro em mim esta chama que não vai passar, é mais forte que eu e não quero dela me afastar....



Eu não posso explicar quando foi e nem quando ela veio, mas só digo o que penso, só faço o que gosto e aquilo em que creio..."(Maysa)



Com as outras dores fazem-se versos...com as que doem,grita-se! (Fernando Pessoa)













Quem "grita" como eu......

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Letícia,minha amiga,minha irmã...


Há dias em que amanhecemos de mal com a vida. Nestes dias nem deveríamos sair de casa!Permaneceríamos isolados para não correr o risco de magoar ninguém, que dizer então de magoar amigos?

Aconteceu comigo há alguns dias atrás : confesso que andava um pouco azeda, sem sequer saber porquê, e por conta desse azedume magoei pessoa incrível e de quem gosto muito !

O pior de tudo é que sequer percebi o que havia feito e só vim a saber do estrago que causei a um coração do tamanho do mundo ontem, assim, de repente.

Frequento um grupo de mães, todas com filhos especiais, o que não nos impede de rir muito, conversar bobagens e seriedades, falar mal dos maridos, tomar chazinho, tudo isto enquanto esperamos nossos filhos executarem suas atividades.

A Letícia é uma pessoa incrível, uma espécie de secretária da responsável pelo atendimento. Está sempre sorrindo, tem sempre uma boa palavra para todos, muito bom humor e o mais importante, adora e trata com o maior carinho aos nossos filhos.

Sempre nos demos bem, o que ela o faz com todos; somos até um pouco parecidas fisicamente, e na brincadeira nos chamamos de irmãs.

Acontece que, num desses dias azedos, a minha "irmã" veio nos transmitir uma ordem da professora sobre certa postura, nova para algumas mães que já lá estão há mais de dez anos e eu, sem o perceber, reagi com rispidez e, sem o saber e sem notar a magoei muito.

Minha "irmã" é do tipo de pessoa que por tudo se comove e derrama lágrimas sentidas e verdadeiras. Comove-se com a tristeza e com a beleza; com a palavra ácida e com as mais doces: é seu modo de ser.

Imaginem o que foi para ela o meu reagir abrupto e mau humorado... Para mim nada havia acontecido e continuei a tratá-la da mesma maneira de sempre.

Ontem, foi o almoço de final de ano de nossos filhos e almoçamos todos juntos. Qual não foi minha surpresa quando minha amiga querida declara estar muito sentida comigo e ao mesmo tempo as lágrimas começaram a correr e eu, sinceramente, não sabia porquê.

Aos poucos todas as mães foram me relatando o que ocorrera. Tomei conhecimento dos telefonemas tristonhos para algumas e da declaração que no ano vindouro ela não mais trabalharia com os nossos filhos.

A tudo isso juntou-se a infeliz coincidência de que no dia da apresentação de dança do grupo eu não a abracei, não por mal, mas porque tudo ficou muito confuso, filhos, família, convidados...e eu, realmente não o fiz.

Escrevo este relato para que todos nós reflitamos que devemos estar atentos para não magoarmos pessoas que não têm porque receber os sentimentos que não provocaram, principalmente os ruins.

Letícia, quero lhe dizer e desejo que todos os meus amigos saibam que aquele rompante era dirigido a mim mesma. Desejo que saiba e todos também que você é a mais especial de nosso grupo, pois ali chegou sem nada saber de "especialidades" e de mães que lidam com elas. Chegou e se jogou de coração e alma abertos se doando muito mais do que era para o fazer.

Desculpa essa sua "irmã" que precisa pensar duas vezes antes de explodir, principalmente com pessoas maravilhosas e queridas como você; pensar duas vezes antes de explodir com qualquer ser humano; pensar duas vezes, até mesmo, antes de explodir comigo mesma.

Você é muito querida e, lhe prometo, se depender de mim, nunca mais uma lágrima vai cair de seus olhos e de seu coração.

Quero sua amizade, sempre!!!!

Mais uma vez, me perdoa!!!

Sua amiga, sua "irmã", porque afinal somos louras mas de amizade a gente entende!!!


Sonia Regina /dezembro de 2008

sábado, 13 de dezembro de 2008

Lembra de mim


Lembra de mim,
eu quero, em dias doces,
de doces ilusões,
de meigas alegrias...

Lembra de mim,
lhe peço, em dias coloridos,
de praias amistosas
de doces marés,
de calmas fantasias.

Lembra de mim,
mesmo sem amor,
a perceber a presente ausência
da presença que um dia
preencheu as nossas vidas.

Lembra de mim
lhe rogo, com saudades...
Como não ter saudades
de um tempo só de amor?

Pensa no mar,
no sol, na chuva,
no banco lá na praça,
nas juras que eram eternas
e logo se acabaram.

Lembra de mim,
mesmo assim, eu quero,
com a certeza
que aquele amor
que nem de amor sabia
ficou em algum lugar
guardado com carinho
e vai seguir comigo
e em cada lembrança
dará novo sentido aos meus dias.


***
Sonia Regina / 1998

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Quando estamos sozinhos,podemos dançar


O navio estava cheio de passageiros,muitos deles aposentados,todos animados para os próximos três dias de divertimento.

Na minha frente,no corredor acarpetado,vi uma mulher magrinha com uma calça marrom de poliéster,ombros curvados,cabelos louros e bem curtos.

Pelo alto-falante,a familiar Begin the Begine,com Artie Shaw.De repente,aconteceu uma coisa maravilhosa.

A mulher,sem perceber que havia alguém atrás dela,começou a balançar e sacudir.Estalava os dedos.Girava os quadris.Fazia passos rápidos e graciosos-para a frente,arrastando os pés,para o lado.

Quando alcançou a porta que levava ao restaurante,ela parou,deixou sua dança para trás e entrou no salão como se fosse outra pessoa.

Na verdade,voltou a ser aquela senhora um pouco curvada.

Muitas vezes eu me lembro desta cena,e estou pensando nela agora.Muita gente nem imagina que eu ainda possa dançar.

Os jovens pensam que as pessoas de minha idade não têm mais direito à música,ao romance,à dança,aos sonhos.

Eles nos vêem como a idade nos moldou:camuflados em rugas,cinturas não tão finas,aspecto cansado.

Não vêem todas as outras pessoas que existem dentro de nós.

Mostramos ao mundo uma certa aparência porque essa é a regra que o costume impõe.Somos os velhos sábios amalucados,as dignas matronas.

Não temos liberdade de movimento para deixar as outras pessoas que existem em nós agirem-ou para usar nossas outras vidas.

Ninguém imagina,por exemplo,que ainda sou a moça magrinha que cresceu numa linda praia chamada Boa Viagem,em Niterói.

Dentro de mim,ainda me vejo como a irmã do meio de três irmãos de uma família feliz plena de tios ,primos,com uma linda mãe e um pai sempre alegre e amante de esportes perigosos,já naquela época.Não importa que meus pais já tenham morrido há muito tempo e que sejamos agora apenas dois irmãos.

Ainda sou a criança meio presunçosa,metida a bailarina e a cantora e que conquistava a todos com suas canções e trejeitos e seu modo cordato de ser.



"Você nunca perde amando.Sempre perde deixando de amar"(Barbara de Angelis)


Beth Ashley,adaptado e postado por Sonia Regina.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Coração é terra que ninguém vê




Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.

Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão

Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração. Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...


Cora Coralina,postado por Sonia Regina

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Selo personalizado


Este selinho me foi presenteado por meu filho Orlando,que é web-designer e que muito me orgulha,o selo e,principalmente,o filho.

Ofereço-o a todos os meus amigos que me derem o prazer de o colocar em seus blogs!!!!

Todo o meu carinho...

postado por Sonia Regina.

Uma boneca...uma menina...uma mulher...


Menina não há que não se encante com uma boneca, encanto que permanece por toda a vida, sempre a nos lembrar, a reviver a menina latente que habita em cada mulher, que cada uma traz dentro de si.

Seja de plástico, borracha ou porcelana o encanto das bonecas reside em seu olhar. Olhares marotos e, ao mesmo tempo, altivos não declinam por nada. Sua força reside na imobilidade: são o que são, como são e assim encaram a todos e quem não suportar olhá-las que desvie seu olhar pois elas, jamais, o farão.

Bonecas, encantos e olhares firmes e fixos dos que sabem porque estão no mundo: para encantar, embelezar os sonhos, os quartos e as camas das meninas e das mulheres.

Podemos esquecê-las em um canto, como fazemos com a boneca que vive em nós; podemos tratá-las com indiferença, sem sequer vê-las, como fazemos com a menina que habita nossas almas.

Entretanto se as buscamos, cuidamos, reparamos nos seus encantos, nos pequenos detalhes de suas roupas rendadas, seus olhares, suas mãozinhas estarão, sempre, presentes e ficarão nos lugares em que as colocarmos, como a menina que trazemos em nós...que sempre estará conosco se tivermos consciência dela.

As nossas bonecas e meninas interiores necessitam para sempre serem expostas : vestido engomado, olhar firme e a certeza de que ocupam o espaço certo a elas destinado.

Todo o meu carinho para as bonecas - meninas - mulheres !!!!

*

Sonia Regina,dezembro/1997

domingo, 7 de dezembro de 2008

Bonecas


Bonecas de pano,
de porcelana,
não importa
seu teor.

Bonecas,
sempre,
a mim lembram
um ambiente de amor...

*

Sonia Regina

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A alma diferente


O Mundo ainda não aprendeu a lidar com os seres humanos diferentes.Diferente é quem foi dotado de algo mais ou de algo menos,em hora,momento e lugar errado.

Para os outros,que não compreendem e pressupõe impossibilidades totais em se ser assim.Têm medo de não saberem como se comportar no encontro com os diferentes.

O diferente é um ser com a alma sempre mais perto da perfeição.Nunca é inexpressivo.Ao contrário,estar junto dele é,sempre,profundamente enriquecedor.Mas,é sempre ignorado por pessoas menos sensíveis e avisadas.

Supondo encontrar um esquisito onde está um diferente,talentos são rechaçados;vitórias são adiadas;esperanças são mortas.Um diferente medroso,este sim acaba,tentando ser ignorado.

O diferente começa a sofrer cedo,pois todos os demais,iguais,pensam eles,por omissão,se unem para transformar o que é peculiaridade em aleijão e caricatura.O que é percepção aguda em "puxa,como fulano é complicado".O que é embrião de um estilo próprio em "você está vendo como todo mundo faz?".

O diferente carrega desde cedo apelidos e carimbos nos quais acaba se transformando.

Diferente é o que chora onde outros xingam;quer onde outros cansam;espera,de onde já não vem;sonha entre realistas;concretiza,entre sonhadores;cria,onde o hábito rotiniza;perde horas em coisas que só ele sabe importantes;diz sempre na hora de calar;cala sempre nas horas erradas;aprendeu a superar o riso,o deboche,o escárnio e a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual;sente antes dos demais começarem a perceber;se emociona enquanto todos em torno agridem.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além.A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender.Nestas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana de que só os diferentes são capazes.

Jamais diminuam os sentimentos de um diferente.Ele é sensível demais para ser conquistado sem que haja consequência com o ato de conquistar.


Arthur da Távola,postado por Sonia Regina.


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SOMOS TODOS MARAVILHOSAMENTE DIFERENTES!!!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Só nós...


Quando ouço sua voz
calma,compassiva,
a me tranquilizar o coração
fico imaginar como seria
se a vida não nos tivesse dito não.

Quando ouço sua voz,
a mesma voz de outrora
mas com a sabedoria
que só o tempo traz,
me sinto cheia de inveja
dos que com você partilham
o comum do dia-a-dia,
seu jeito doce,
seu saber,
seu viver por inteiro.

Mas eu sei
que fui a primeira
a lhe sentir sábio e forte;
eu sei e você também
que o que vivemos,
nós o sabemos, como foi inteiro,
como foi verdade
e conosco seguirá para a eternidade!

Sonia Regina, 18/11/1998

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Cada bibelô é uma alma


Somos seres acumulativos.Com mania de comprar objetos que enfeitam a casa e a vida.Cada vez que se viaja,traz-se para o interior da sala aquelas lembranças que vão fazer parte da nossa memória.E que traduzem nosso gosto estético e um pouco de nossa biografia.

São como aquelas migalhas de pão que João e Maria,no afã de deixar um rastro,espalham pela floresta.E que bem falam deles e de seus destinos.
Estes bibelôs,enfeites,troféus,são assim indispensáveis ao nosso cotidiano.E conquanto não sejam essenciais na prática,têm a transcendência dos livros de oração,de tudo que é para nós sagrado.

Quando visito amigos observo as peças que são objeto de culto por parte do dono.São elas que me dizem em que espécie de casa estou.A quem essa morada de fato pertence.O tipo de rubrica estética e afetiva que o dono leva nas costas.São peças,enfim,que na sua banalidade falam da alma alheia,dos seus medos,da sua infância,das suas frustrações.

Fico a imaginar o que representam esses objetos se lhes faltarem seus donos.Como sobreviveriam à morte de seus proprietários.Onde iriam eles parar na hora do inventário.Sob proteção de quem guardarão eles para sempre o calor dos seus antigos senhores.

De visita,pois,a essas casas,sou frequentemente tomada pela tristeza.Sobretudo quando olho na prateleira aquela alpaca de cobre,por exemplo,trazida das montanhas peruanas,graças ao fervor de quem a comprou com a convicção de incorporá-la ao seu patrimônio pessoal.O que ocorrerá no futuro?

Quantas vezes,após despedir-me de um amigo que se foi para sempre,sofro sobressaltos.Primeiro temo que chova nos dias que se seguem.Não quero encharcada a terra onde repousa meu amigo.Posteriormente evito retornar à casa onde ele viveu acomodado em meio às coisas que compuseram o seu universo.Julgo intolerável inventariar seus objetos,ver dispersas as peças que,longe dele,de volta ao mundo,soltas,sem nome,nada dizem.

O que falará mais dos mortos que seus pertences abandonados?Já não tendo quem os aprecie,encaminhe-lhes um olhar amoroso.Cada peça agora perdendo sua linguagem original.Já não tendo como defender a presença do finado,que começa a esfumar.Como a conclamar que não o esqueçam.

Como é triste um objeto que perdeu seu dono!Quando o dono já não se encontra por perto para tirar-lhe a poeira,para acalentá-lo com a palma quente das mãos.Já não se sabendo destinado a enfeitar a vida e a imaginação de um homem.


Nélida Piñon,postado por Sonia Regina.


Tenho consciência que existe certa morbidez nesta crônica.A meu ver é uma metáfora sobre a qual vale a pena pensar....

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!
Luar dando espetáculo na praia da Boa Viagem!"