QUEM SOU EU...


"Ninguém pode calar dentro em mim esta chama que não vai passar, é mais forte que eu e não quero dela me afastar....



Eu não posso explicar quando foi e nem quando ela veio, mas só digo o que penso, só faço o que gosto e aquilo em que creio..."(Maysa)



Com as outras dores fazem-se versos...com as que doem,grita-se! (Fernando Pessoa)













Quem "grita" como eu......

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Selo personalizado


Este selinho me foi presenteado por meu filho Orlando,que é web-designer e que muito me orgulha,o selo e,principalmente,o filho.

Ofereço-o a todos os meus amigos que me derem o prazer de o colocar em seus blogs!!!!

Todo o meu carinho...

postado por Sonia Regina.

Uma boneca...uma menina...uma mulher...


Menina não há que não se encante com uma boneca, encanto que permanece por toda a vida, sempre a nos lembrar, a reviver a menina latente que habita em cada mulher, que cada uma traz dentro de si.

Seja de plástico, borracha ou porcelana o encanto das bonecas reside em seu olhar. Olhares marotos e, ao mesmo tempo, altivos não declinam por nada. Sua força reside na imobilidade: são o que são, como são e assim encaram a todos e quem não suportar olhá-las que desvie seu olhar pois elas, jamais, o farão.

Bonecas, encantos e olhares firmes e fixos dos que sabem porque estão no mundo: para encantar, embelezar os sonhos, os quartos e as camas das meninas e das mulheres.

Podemos esquecê-las em um canto, como fazemos com a boneca que vive em nós; podemos tratá-las com indiferença, sem sequer vê-las, como fazemos com a menina que habita nossas almas.

Entretanto se as buscamos, cuidamos, reparamos nos seus encantos, nos pequenos detalhes de suas roupas rendadas, seus olhares, suas mãozinhas estarão, sempre, presentes e ficarão nos lugares em que as colocarmos, como a menina que trazemos em nós...que sempre estará conosco se tivermos consciência dela.

As nossas bonecas e meninas interiores necessitam para sempre serem expostas : vestido engomado, olhar firme e a certeza de que ocupam o espaço certo a elas destinado.

Todo o meu carinho para as bonecas - meninas - mulheres !!!!

*

Sonia Regina,dezembro/1997

domingo, 7 de dezembro de 2008

Bonecas


Bonecas de pano,
de porcelana,
não importa
seu teor.

Bonecas,
sempre,
a mim lembram
um ambiente de amor...

*

Sonia Regina

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A alma diferente


O Mundo ainda não aprendeu a lidar com os seres humanos diferentes.Diferente é quem foi dotado de algo mais ou de algo menos,em hora,momento e lugar errado.

Para os outros,que não compreendem e pressupõe impossibilidades totais em se ser assim.Têm medo de não saberem como se comportar no encontro com os diferentes.

O diferente é um ser com a alma sempre mais perto da perfeição.Nunca é inexpressivo.Ao contrário,estar junto dele é,sempre,profundamente enriquecedor.Mas,é sempre ignorado por pessoas menos sensíveis e avisadas.

Supondo encontrar um esquisito onde está um diferente,talentos são rechaçados;vitórias são adiadas;esperanças são mortas.Um diferente medroso,este sim acaba,tentando ser ignorado.

O diferente começa a sofrer cedo,pois todos os demais,iguais,pensam eles,por omissão,se unem para transformar o que é peculiaridade em aleijão e caricatura.O que é percepção aguda em "puxa,como fulano é complicado".O que é embrião de um estilo próprio em "você está vendo como todo mundo faz?".

O diferente carrega desde cedo apelidos e carimbos nos quais acaba se transformando.

Diferente é o que chora onde outros xingam;quer onde outros cansam;espera,de onde já não vem;sonha entre realistas;concretiza,entre sonhadores;cria,onde o hábito rotiniza;perde horas em coisas que só ele sabe importantes;diz sempre na hora de calar;cala sempre nas horas erradas;aprendeu a superar o riso,o deboche,o escárnio e a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual;sente antes dos demais começarem a perceber;se emociona enquanto todos em torno agridem.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além.A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender.Nestas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana de que só os diferentes são capazes.

Jamais diminuam os sentimentos de um diferente.Ele é sensível demais para ser conquistado sem que haja consequência com o ato de conquistar.


Arthur da Távola,postado por Sonia Regina.


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SOMOS TODOS MARAVILHOSAMENTE DIFERENTES!!!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Só nós...


Quando ouço sua voz
calma,compassiva,
a me tranquilizar o coração
fico imaginar como seria
se a vida não nos tivesse dito não.

Quando ouço sua voz,
a mesma voz de outrora
mas com a sabedoria
que só o tempo traz,
me sinto cheia de inveja
dos que com você partilham
o comum do dia-a-dia,
seu jeito doce,
seu saber,
seu viver por inteiro.

Mas eu sei
que fui a primeira
a lhe sentir sábio e forte;
eu sei e você também
que o que vivemos,
nós o sabemos, como foi inteiro,
como foi verdade
e conosco seguirá para a eternidade!

Sonia Regina, 18/11/1998

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Cada bibelô é uma alma


Somos seres acumulativos.Com mania de comprar objetos que enfeitam a casa e a vida.Cada vez que se viaja,traz-se para o interior da sala aquelas lembranças que vão fazer parte da nossa memória.E que traduzem nosso gosto estético e um pouco de nossa biografia.

São como aquelas migalhas de pão que João e Maria,no afã de deixar um rastro,espalham pela floresta.E que bem falam deles e de seus destinos.
Estes bibelôs,enfeites,troféus,são assim indispensáveis ao nosso cotidiano.E conquanto não sejam essenciais na prática,têm a transcendência dos livros de oração,de tudo que é para nós sagrado.

Quando visito amigos observo as peças que são objeto de culto por parte do dono.São elas que me dizem em que espécie de casa estou.A quem essa morada de fato pertence.O tipo de rubrica estética e afetiva que o dono leva nas costas.São peças,enfim,que na sua banalidade falam da alma alheia,dos seus medos,da sua infância,das suas frustrações.

Fico a imaginar o que representam esses objetos se lhes faltarem seus donos.Como sobreviveriam à morte de seus proprietários.Onde iriam eles parar na hora do inventário.Sob proteção de quem guardarão eles para sempre o calor dos seus antigos senhores.

De visita,pois,a essas casas,sou frequentemente tomada pela tristeza.Sobretudo quando olho na prateleira aquela alpaca de cobre,por exemplo,trazida das montanhas peruanas,graças ao fervor de quem a comprou com a convicção de incorporá-la ao seu patrimônio pessoal.O que ocorrerá no futuro?

Quantas vezes,após despedir-me de um amigo que se foi para sempre,sofro sobressaltos.Primeiro temo que chova nos dias que se seguem.Não quero encharcada a terra onde repousa meu amigo.Posteriormente evito retornar à casa onde ele viveu acomodado em meio às coisas que compuseram o seu universo.Julgo intolerável inventariar seus objetos,ver dispersas as peças que,longe dele,de volta ao mundo,soltas,sem nome,nada dizem.

O que falará mais dos mortos que seus pertences abandonados?Já não tendo quem os aprecie,encaminhe-lhes um olhar amoroso.Cada peça agora perdendo sua linguagem original.Já não tendo como defender a presença do finado,que começa a esfumar.Como a conclamar que não o esqueçam.

Como é triste um objeto que perdeu seu dono!Quando o dono já não se encontra por perto para tirar-lhe a poeira,para acalentá-lo com a palma quente das mãos.Já não se sabendo destinado a enfeitar a vida e a imaginação de um homem.


Nélida Piñon,postado por Sonia Regina.


Tenho consciência que existe certa morbidez nesta crônica.A meu ver é uma metáfora sobre a qual vale a pena pensar....

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Liberdade


Ai que prazer
não cumprir um dever,
ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira
sem literatura.

O rio corre,bem ou mal,
sem edição original;
e a brisa,essa,
de tão naturalmente matinal,
como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa que está indistinta,
a distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor,quando há bruma,
esperar por "um sonho"
quer venha ou não!

Grande é a poesia,a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
flores,música,o luar e o sol,que peca
só quando em vez de criar,seca.

O mais do que isto
é Jesus Cristo,
que não sabia nada de finanças
nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa,16/03/1935 postado por Sonia Regina.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Morte


"A morte, por si só, é uma piada pronta.
Morrer é ridículo.

Você combinou de jantar com a namorada,
está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem,
precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no
carro e no meio da tarde morre. Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER!!!

Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio
estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve
lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física,
quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para
estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer
da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora
de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...

De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway,
numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém,
sem ter dançado com a garota mais linda,
sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.

Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e
penduradas também algumas contas.
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas,
a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce,
caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina,
começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte
costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã.

Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o
sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não
acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase
nada guardado nas gavetas.
Ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão,
desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero.

E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida... Perdoe... Sempre!!!"


Pedro Bial,postado por Sonia Regina

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sonhos coloridos







Eu sei, eu sei
dos sonhos coloridos
sonhados todo dia
em cada adormecer.

Eu sei, eu sei
de sonhos encantados
todo dia sonhados
sem querer despertar.

Eu sei, eu sei
que os sonhos acontecem,
é só acreditar,


um dia eles vêm
enfeitados de luz,
trazendo alegrias
sem que se precise
sequer adormecer.

Eu sei: basta sonhar,
ter fé, esperar e
ver acontecer!

*


Sonia Regina, 23/08/1993

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Jabuticabas


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos a limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.

Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: - Gosto, e ponto final!Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Já não tenho tempo para ficar explicando aos medianos se estou ou não perdendo a fé porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus.
Caminhar perto delas nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

Ricardo Gondim,postado por Sonia Regina.

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!
Luar dando espetáculo na praia da Boa Viagem!"