QUEM SOU EU...


"Ninguém pode calar dentro em mim esta chama que não vai passar, é mais forte que eu e não quero dela me afastar....



Eu não posso explicar quando foi e nem quando ela veio, mas só digo o que penso, só faço o que gosto e aquilo em que creio..."(Maysa)



Com as outras dores fazem-se versos...com as que doem,grita-se! (Fernando Pessoa)













Quem "grita" como eu......

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!
Luar dando espetáculo na praia da Boa Viagem!"

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Tributo à minha irmã




Hoje vou postar um singelo e triste relato de minha irmã mais nova Silvana Regina.

Ela era 13 anos mais nova que eu.Quando nasceu nosso pai já havia falecido,daí foi criada com todos os mimos que eram de se esperar ante a situação.

Criança bonita, levada e inteligente era o encanto de todos nós. No entanto, sempre foi de fazer o que lhe desse vontade e minha mãe, já com certa idade, de saúde abalada sentia dificuldades em manter sua autoridade, apesar de muito apegadas uma a outra. Quanto tinha 16 anos nossa mãe faleceu e a rotina de vida de minha irmã mudou.

Há dois dias atrás fui fazer uma faxina na estante onde coloco meus livros prediletos e encontrei um livreto do Centra-Rio/Ses, um centro terapêutico para reabilitação de pessoas com qualquer tipo de dependência química. Este folheto foi editado ao final do ano de 2003, como comemoração por mais um grupo de reabilitados.

Silvana Regina faleceu em agosto de 2007, aos 50 anos sem aviso e num sopro. Sua saúde ficara debilitada pelos problemas que teve e nesta noite ela apenas disse ao marido que não estava muito bem, mas que iria dormir e acordaria melhor. Nunca mais viu o dia.

Apesar dos problemas que apresentou sua casa era uma alegria constante. Mãe de três filhos, bem criados e responsáveis, visitá-la era rir muito, saborear quitutes deliciosos, cantar e dançar muito pagode. Sempre uma festa!!!! Em nós todos, irmãos, filhos e netos ficou uma lacuna que jamais será preenchida.

Silvana era especial, quem não a conheceu, não sabe o que perdeu!!!

Ela mesma vai contar sua história, relatada no folheto do Centra-Rio.

Esta postagem deve ser um sinal para todos, quer tenham filhos, netos ou não. Com ela desejo alertar para o fato de que qualquer substância que tome conta de nós, de nós leva tudo, até a vida.

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POÇO SEM FUNDO

Eu ouvia falar
que a droga é um poço sem fundo,
que deixa marcas profundas,
difíceis de se apagar.
Mas era tempo de brincadeira,
tempo de contestar...
na minha ingenuidade pensava:
quando quiser vou parar!
Eu era, então, adolescente.

O tempo foi passando
e eu continuava usando
sem ainda me importar.
Era tempo de ser bonita,
era tempo de dançar
pagodes, danceterias,
gente a me rodear.
Pela droga estava apaixonada!
Porque, então, parar?
Eu era, então, uma adulta jovem.

As coisas, então, mudaram:
não era mais eu quem usava as drogas
eram elas que me consumiam.
Minha vida tornou-se um inferno:
não tinha mais alegria,
sem elas eu era nada,
sentia-me inadequada,
não sabia nem falar.
Neste momento percebi que já era
impossível parar.
Eu era, então, uma adulta.

Após muito sofrimento e muita busca
cheguei ao Centra-Rio.
Aprendi que a dependência é doença
impossível de curar.
Sob esta nova ótica comecei a me
recuperar.
Na Oficina da Palavra
reaprendi a brincar,
voltei a rir novamente,
retomando a minha vida,
seguindo meu caminhar.
Mas as marcas estão comigo
impossíveis de apagar:
o que eu sofri nas drogas
são lembranças para sempre,
nunca irão me deixar.
Por isso exponho minha vida
e abro meu coração.
Para vocês, jovens queridas
que das drogas se enamoram
fujam delas enquanto há tempo
para escravas não se tornarem.
Porque, para vocês, eu repito
o que costumava escutar.
A droga é um poço sem fundo
que deixa marcas profundas
que nada pode apagar!
Eu sou,então, uma mulher madura
começando a envelhecer.

Silvana Regina, postado por Sonia Regina, 29/10/2008