
Quisera ter tido um homem.
Homem de pedras,
tijolos, cimento, mármore,
madeira e, porque não?
floreiras e flores.
Quisera ter conhecido
um homem
com alma
de valer a pena
construir um sonho,
vê-lo crescer,
transformar-se em realidade.
Quisera um homem
a quem pudesse
indagar, obtivesse respostas
e confiasse nelas.
Quisera um homem
de fala mansa,
sorriso largo,
preocupações saudáveis
no olhar
e sangue de verdade nas veias
e alma de poeta
e toque de escultor.
Quisera um homem,
um ser com sonhos
mesmo patéticos
a realizar...
Deus não quis,
não permitiu
e me transformei
em ser teimoso
que sonha feminino
e age como o ser
que eu, um dia,
quisera ter.
Sonia Regina, 21/05/1999