QUEM SOU EU...


"Ninguém pode calar dentro em mim esta chama que não vai passar, é mais forte que eu e não quero dela me afastar....



Eu não posso explicar quando foi e nem quando ela veio, mas só digo o que penso, só faço o que gosto e aquilo em que creio..."(Maysa)



Com as outras dores fazem-se versos...com as que doem,grita-se! (Fernando Pessoa)













Quem "grita" como eu......

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!
Luar dando espetáculo na praia da Boa Viagem!"

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

CAMINHOS ABERTOS


Caminhos abertos,amigos queridos,neste ano de 2009 que raia.Que o ano lhe traga cuca boa,coração em paz,hormônios ativados.Caminhos abertos e passo leve,desses de japonesa ou bailarina.

Caminhos abertos em direçâo ao próximo.Que em 2009 o sentido profundo da descoberta do outro possa ser parte importante de sua vida.O outro é o maior mistério.Descobri-lo em amplitude e profundidade embora impossível é sempre possível.

Só se sabe do "outro",abrindo mão do contido.Somos pretenciosos:reduzimos o universo à visão que dele temos.

Abstrair totalmente o eu em função do outro é impossível,pois acarreta a perda de identidade que nos dá sentido e univocidade.Mas só vislumbrar o eu nos impedirá de ver o outro como ele é.E sem vê-lo jamais conviveremos.O difícil é conseguir chegar ao outro com o máximo de presença do eu.

Descobrir como fazê-lo será nossa tarefa em 2009.Caminhos abertos,amigos,porque é preciso remover os pedregulhos existenciais que rolam sobre o nosso humor e sobre nossa capacidade de tolerar e compreender as limitações de cada um.Que imensos tratores retirem o entulho que rola de nossa parte mais alta.

Caminhos abertos para descobrir o belo onde quer que se encontre,esconda ou revele.Tudo será mais belo se abandonarmos as nossas teorias sobre as coisas.É deixá-las fluir,sem as "classificar","entender","encapsular".Entreguemo-nos às coisas e ao mistério.Não os tentemos desvendar.

Deixemos que nos penetrem elas e ele e veremos brilhar a luz sem definição do encontro.Caminhos abertos para aprendermos a viver com o que não tem solução.A vida é plena de coisas sem solução!Há que se viver com elas.Há que deixar o errado,o imperfeito,o incompleto irem se fazendo.

Vida é processo,logo,construção permanente.Não há sistemas certos.Não há soluções,salvo momentâneas.Não há equilíbrio perfeito,só na morte.Há,sim,ânsia de tudo isso nos impulsionando a viver.

Que o ano de 2009 faça de sua caminhada um grito de liberdade,esperança e fraternidade!!!

Arthur da Távola,adaptado e postado por Sonia Regina.

domingo, 28 de dezembro de 2008

ANO NOVO,MUNDO NOVO


O ano acabará dia 31/12/2008 às 24:00h. Recomeçará um segundo após, pois tudo que se acaba em novo se inicia: assim com as flores, com os frutos, com os animais, com os homens.

Recomeçando um ano, recomeça o mundo dia 1/1/2009, em branco, imaculado como a tela em que escrevo. Terei mais cuidado ao lidar com ele! Com certeza vou tratá-lo com mais carinho e com carinho serei retribuída; cuidarei dos meus passos, onde piso, para não machucá-lo.

Permitirei que as flores permaneçam em suas hastes sem cobiçá-las para enfeitarem as jarras de minha sala. Respeitarei os animais, todos, mesmo os insetos que me arrepiam, bastando desviar-me de seus caminhos. Entendi que possuo inteligência e eles precisam defender-se.

Observarei com mais cuidado os dias de sol, as tempestades e as noites enluaradas. Deter-me-ei nos detalhes que num mundo novo fazem a diferença.

Sorrirei mais e para mais pessoas pelo simples fato de que um velho mundo se foi e eu permaneci.

Com a morte daquele mundo viciado morreram também os políticos que enganavam e roubavam toda uma população que neles confiava; morreram os que "se davam bem", sempre, mesmo à custa do prejuízo alheio; morreram os ladrões das esquinas,dos sinais de trânsito, das portas de nossas casas; desapareceram as balas perdidas.

Morreram os que enriqueciam com os vícios alheios assim como os viciados que os financiavam. Acabou-se toda a espécie de vício e todas as substâncias que a ele levavam. Acabou-se o pranto das mães, esposas e filhos sufocados e oprimidos por fumaças, líquidos e pós.

Morreram, com o fim deste mundo antigo todos os que viviam da miséria: os senhores da seca do nordeste, os que desviavam as verbas das Ongs; os que sucateavam os hospitais públicos e enriqueciam com as empresas de planos de saúde privados; os que desvalorizavam os professores do povo e construíam palácios onde pagava-se muito para pouco se aprender, visto o grau de ignorância da maioria da mocidade bonita, "malhada", dourada e alienada.

Acabou-se o ano, acabou-se o mundo! Acabou-se a valorização da bunda, do sexo por nada, dos versos e textos de duplo sentido.
Acabou-se a criança de rua que nos enchia de medo pois no mundo novo só existirão crianças a serem amadas, protegidas e educadas.

Os colégios, hospitais e orfanatos, sem admistrações ou alvarás de fachada, as tornarão adultos saudáveis e do bem.
Acabou-se o ano velho! Viva o Ano e o Mundo Novos! Que se viva a nova vida com dignidade e amor. Respeito como adereço também virá em boa hora. Pode ser que seja nossa última chance!!!


***
Sonia Regina /2008 /2009

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A BAILARINA


Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os ohos e sorri.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sái do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

Cecília Meireles,postado por Sonia Regina.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O DONO DO NATAL


Natal é a festa pela vinda de Jesus a este nosso mundo... é a festa da humildade tal qual a que Ele viveu, sóbrio, apenas com a alimentação necessária para seu Santo Organismo; pobre, com poucas vestes e sandálias surradas por suas caminhadas... Sem bens materiais e oferecendo como presente aos seus semelhantes Suas Palavras de Amor, Suas Curas milagrosas!


No dia de hoje, quando Ele bater à sua porta,não deixe de abrí-la, afinal a comemoração é para Ele que só deseja estar presente!!!

Feliz Natal, tendo Jesus Cristo como companhia para os sorrisos, as músicas,as brincadeiras.

Jesus é feliz perto de nós!!!!
***

Sonia Regina / dezembro 2008

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Jesus,onde está?


Em meu despertar
disposta ao dia enfrentar:
nos cuidados diários
àquelas tarefas a mim destinadas;
no beijo dos filhos,
tão puros, tão doces
à mesa do café;
no asseio da casa,
no fogão, no alimento;
nos livros que leio,
que seleciono
pra me enriquecer;
nos filmes, nas músicas,
no trabalho diário,
nos passeios, sorrisos,
sempre agradecida
de ali poder estar.

No adormecer, tranquilo,
sossegado, pensamento
ligado em Jesus.

Ausente em palavras
frias, decoradas, sem sentido,
que não tocam o coração.

Jesus está em mim
se faço juz à vida
que recebi pra viver!

***

Sonia Regina, 1999

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Sonhos


Eu vou onde meus sonhos me levam...


Os anos passam...
Os sonhos ultrapassam os anos,
mesmo não os vencendo,
jamais são vencidos!

Os sonhos não têm idade...
***
Sonia Regina/1998

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Espírito de Natal




"Deixa eu ver se o espírito do Natal já está na sua casa.

Não, não quero ver a árvore iluminada na sala, nem quero saber quanto você já gastou em presentes.

Quero, sim, sentir no ambiente a mensagem viva do aniversariante deste dezembro mágico: toda a família está unida? O perdão já eliminou aquelas desavenças que ocorrem no calor das nossas vidas?

"Não quero ver a sua despensa cheia, quero saber se você conseguiu doar alguma coisa do que lhe sobra, para quem tem tão pouco, às vezes nada.

"Não exiba os presentes que você já comprou, mesmo com sacrifício; quero ver aí dentro de você a preocupação com aqueles que esperam tão pouco, uma visita, um telefonema, uma carta, um e-mail...

"Quero ver o espírito do Natal entre pais que descobrem tempo para os filhos, em amigos que se reencontram e podem parar para conversar, no respeito do celular desligado no teatro, na gentileza de quem oferece o banco para o mais idoso, na paciência com os doentes, na mão que apóia o deficiente
visual na travessia das ruas, no ombro amigo que se oferece para quem anda meio triste, perdido.

"Quero ver o espírito de Natal invadindo as ruas, respeitando os animais, a natureza que implora por cuidados tão simples, como
não jogar o papel no chão, nem o lixo nos rios.

Não quero ver o Natal nas vitrines enfeitadas, no convite ao consumo, mas no enfeite que a bondade faz no rosto das pessoas generosas.

Por fim, mostre-me que o espírito do Natal entrou definitivamente na sua vida, através do abraço fraterno, da oração sentida, do prazer de andar sem drogas e sem bebidas, do riso franco, do desejo sincero de ser feliz e, de tão feliz, não resistir ao desejo de fazer outras pessoas também felizes.

"Deixe o Natal invadir a sua alma, entre os perfumes da cozinha que vai se encher de comidas deliciosas, no cheiro da roupa nova que todos vão exibir, abrace-se à sua família e façam alguns minutos de silêncio, que será como uma oração do coração, que vai subir aos céus, e retornar com um presente eterno, duradouro: o suave perfume de Jesus, perfume de paz, amor, harmonia e a eterna esperança de que um dia todos os dias serão como os dias de Natal.

Feliz Natal para você e para os seus!"

desconheço o autor,postado por Sonia Regina.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Porto


Um Porto
é só um lugar
para um barco descansar,
barco cansado da lida
que travou em alto-mar.

Um Porto é um remanso,
um local pra repousar.
Um Porto está sempre ali
a espera daqueles barcos
que nele queiram atracar.

Um Porto, sempre, sugere
abrigo, calma, sossego...
mas um Porto, se ignorado,
pode levar um navio
a perder-se pelos mares
tornando seu capitão desiludido, cansado...

Um Porto, sempre, é o cais
para seu barco parar,
mas esse cais, feito em pedra
de saudades das viagens
realizadas ou não
sua vida vai marcar...


***


Sonia Regina, 1998


.....................................................................................
O TEMPO



O tempo não é minha amiga
aquilo que você pensou:
as festas,as fotos antigas
e aquilo que você guardou,
os móveis,os trastes,
as tranças,os livros
e os velhos cristais,
as doces canções de criança,
lembranças,lembranças demais!

O tempo não para no Porto,
não apita na curva,
não espera ninguém!

Você vem deitar no meu colo
querendo,de novo,ficar;
eu olho e até me assombro,
como pode este tempo passar.
O tempo é areia que escapa
até entre os dedos do amor.
Depois,é o vazio,é o nada,
é areia que o vento levou.

O tempo não para no Porto,
não apita na curva,
não espera ninguém!

O medo correndo nas veias
deixou tanta vida pra trás
e a gente ficou de mãos cheias
com coisas que não valem mais;
e fica um gosto de usado
naquilo que nem se tocou...
a gente dormiu acordado
e o tempo depressa passou.

O tempo não para no Porto,
não apita na curva,
não espera ninguém!

desconheço o autor,postado por Sonia Regina.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Letícia,minha amiga,minha irmã...


Há dias em que amanhecemos de mal com a vida. Nestes dias nem deveríamos sair de casa!Permaneceríamos isolados para não correr o risco de magoar ninguém, que dizer então de magoar amigos?

Aconteceu comigo há alguns dias atrás : confesso que andava um pouco azeda, sem sequer saber porquê, e por conta desse azedume magoei pessoa incrível e de quem gosto muito !

O pior de tudo é que sequer percebi o que havia feito e só vim a saber do estrago que causei a um coração do tamanho do mundo ontem, assim, de repente.

Frequento um grupo de mães, todas com filhos especiais, o que não nos impede de rir muito, conversar bobagens e seriedades, falar mal dos maridos, tomar chazinho, tudo isto enquanto esperamos nossos filhos executarem suas atividades.

A Letícia é uma pessoa incrível, uma espécie de secretária da responsável pelo atendimento. Está sempre sorrindo, tem sempre uma boa palavra para todos, muito bom humor e o mais importante, adora e trata com o maior carinho aos nossos filhos.

Sempre nos demos bem, o que ela o faz com todos; somos até um pouco parecidas fisicamente, e na brincadeira nos chamamos de irmãs.

Acontece que, num desses dias azedos, a minha "irmã" veio nos transmitir uma ordem da professora sobre certa postura, nova para algumas mães que já lá estão há mais de dez anos e eu, sem o perceber, reagi com rispidez e, sem o saber e sem notar a magoei muito.

Minha "irmã" é do tipo de pessoa que por tudo se comove e derrama lágrimas sentidas e verdadeiras. Comove-se com a tristeza e com a beleza; com a palavra ácida e com as mais doces: é seu modo de ser.

Imaginem o que foi para ela o meu reagir abrupto e mau humorado... Para mim nada havia acontecido e continuei a tratá-la da mesma maneira de sempre.

Ontem, foi o almoço de final de ano de nossos filhos e almoçamos todos juntos. Qual não foi minha surpresa quando minha amiga querida declara estar muito sentida comigo e ao mesmo tempo as lágrimas começaram a correr e eu, sinceramente, não sabia porquê.

Aos poucos todas as mães foram me relatando o que ocorrera. Tomei conhecimento dos telefonemas tristonhos para algumas e da declaração que no ano vindouro ela não mais trabalharia com os nossos filhos.

A tudo isso juntou-se a infeliz coincidência de que no dia da apresentação de dança do grupo eu não a abracei, não por mal, mas porque tudo ficou muito confuso, filhos, família, convidados...e eu, realmente não o fiz.

Escrevo este relato para que todos nós reflitamos que devemos estar atentos para não magoarmos pessoas que não têm porque receber os sentimentos que não provocaram, principalmente os ruins.

Letícia, quero lhe dizer e desejo que todos os meus amigos saibam que aquele rompante era dirigido a mim mesma. Desejo que saiba e todos também que você é a mais especial de nosso grupo, pois ali chegou sem nada saber de "especialidades" e de mães que lidam com elas. Chegou e se jogou de coração e alma abertos se doando muito mais do que era para o fazer.

Desculpa essa sua "irmã" que precisa pensar duas vezes antes de explodir, principalmente com pessoas maravilhosas e queridas como você; pensar duas vezes antes de explodir com qualquer ser humano; pensar duas vezes, até mesmo, antes de explodir comigo mesma.

Você é muito querida e, lhe prometo, se depender de mim, nunca mais uma lágrima vai cair de seus olhos e de seu coração.

Quero sua amizade, sempre!!!!

Mais uma vez, me perdoa!!!

Sua amiga, sua "irmã", porque afinal somos louras mas de amizade a gente entende!!!


Sonia Regina /dezembro de 2008

sábado, 13 de dezembro de 2008

Lembra de mim


Lembra de mim,
eu quero, em dias doces,
de doces ilusões,
de meigas alegrias...

Lembra de mim,
lhe peço, em dias coloridos,
de praias amistosas
de doces marés,
de calmas fantasias.

Lembra de mim,
mesmo sem amor,
a perceber a presente ausência
da presença que um dia
preencheu as nossas vidas.

Lembra de mim
lhe rogo, com saudades...
Como não ter saudades
de um tempo só de amor?

Pensa no mar,
no sol, na chuva,
no banco lá na praça,
nas juras que eram eternas
e logo se acabaram.

Lembra de mim,
mesmo assim, eu quero,
com a certeza
que aquele amor
que nem de amor sabia
ficou em algum lugar
guardado com carinho
e vai seguir comigo
e em cada lembrança
dará novo sentido aos meus dias.


***
Sonia Regina / 1998

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Quando estamos sozinhos,podemos dançar


O navio estava cheio de passageiros,muitos deles aposentados,todos animados para os próximos três dias de divertimento.

Na minha frente,no corredor acarpetado,vi uma mulher magrinha com uma calça marrom de poliéster,ombros curvados,cabelos louros e bem curtos.

Pelo alto-falante,a familiar Begin the Begine,com Artie Shaw.De repente,aconteceu uma coisa maravilhosa.

A mulher,sem perceber que havia alguém atrás dela,começou a balançar e sacudir.Estalava os dedos.Girava os quadris.Fazia passos rápidos e graciosos-para a frente,arrastando os pés,para o lado.

Quando alcançou a porta que levava ao restaurante,ela parou,deixou sua dança para trás e entrou no salão como se fosse outra pessoa.

Na verdade,voltou a ser aquela senhora um pouco curvada.

Muitas vezes eu me lembro desta cena,e estou pensando nela agora.Muita gente nem imagina que eu ainda possa dançar.

Os jovens pensam que as pessoas de minha idade não têm mais direito à música,ao romance,à dança,aos sonhos.

Eles nos vêem como a idade nos moldou:camuflados em rugas,cinturas não tão finas,aspecto cansado.

Não vêem todas as outras pessoas que existem dentro de nós.

Mostramos ao mundo uma certa aparência porque essa é a regra que o costume impõe.Somos os velhos sábios amalucados,as dignas matronas.

Não temos liberdade de movimento para deixar as outras pessoas que existem em nós agirem-ou para usar nossas outras vidas.

Ninguém imagina,por exemplo,que ainda sou a moça magrinha que cresceu numa linda praia chamada Boa Viagem,em Niterói.

Dentro de mim,ainda me vejo como a irmã do meio de três irmãos de uma família feliz plena de tios ,primos,com uma linda mãe e um pai sempre alegre e amante de esportes perigosos,já naquela época.Não importa que meus pais já tenham morrido há muito tempo e que sejamos agora apenas dois irmãos.

Ainda sou a criança meio presunçosa,metida a bailarina e a cantora e que conquistava a todos com suas canções e trejeitos e seu modo cordato de ser.



"Você nunca perde amando.Sempre perde deixando de amar"(Barbara de Angelis)


Beth Ashley,adaptado e postado por Sonia Regina.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Coração é terra que ninguém vê




Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.

Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão

Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração. Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...


Cora Coralina,postado por Sonia Regina

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Selo personalizado


Este selinho me foi presenteado por meu filho Orlando,que é web-designer e que muito me orgulha,o selo e,principalmente,o filho.

Ofereço-o a todos os meus amigos que me derem o prazer de o colocar em seus blogs!!!!

Todo o meu carinho...

postado por Sonia Regina.

Uma boneca...uma menina...uma mulher...


Menina não há que não se encante com uma boneca, encanto que permanece por toda a vida, sempre a nos lembrar, a reviver a menina latente que habita em cada mulher, que cada uma traz dentro de si.

Seja de plástico, borracha ou porcelana o encanto das bonecas reside em seu olhar. Olhares marotos e, ao mesmo tempo, altivos não declinam por nada. Sua força reside na imobilidade: são o que são, como são e assim encaram a todos e quem não suportar olhá-las que desvie seu olhar pois elas, jamais, o farão.

Bonecas, encantos e olhares firmes e fixos dos que sabem porque estão no mundo: para encantar, embelezar os sonhos, os quartos e as camas das meninas e das mulheres.

Podemos esquecê-las em um canto, como fazemos com a boneca que vive em nós; podemos tratá-las com indiferença, sem sequer vê-las, como fazemos com a menina que habita nossas almas.

Entretanto se as buscamos, cuidamos, reparamos nos seus encantos, nos pequenos detalhes de suas roupas rendadas, seus olhares, suas mãozinhas estarão, sempre, presentes e ficarão nos lugares em que as colocarmos, como a menina que trazemos em nós...que sempre estará conosco se tivermos consciência dela.

As nossas bonecas e meninas interiores necessitam para sempre serem expostas : vestido engomado, olhar firme e a certeza de que ocupam o espaço certo a elas destinado.

Todo o meu carinho para as bonecas - meninas - mulheres !!!!

*

Sonia Regina,dezembro/1997

domingo, 7 de dezembro de 2008

Bonecas


Bonecas de pano,
de porcelana,
não importa
seu teor.

Bonecas,
sempre,
a mim lembram
um ambiente de amor...

*

Sonia Regina

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A alma diferente


O Mundo ainda não aprendeu a lidar com os seres humanos diferentes.Diferente é quem foi dotado de algo mais ou de algo menos,em hora,momento e lugar errado.

Para os outros,que não compreendem e pressupõe impossibilidades totais em se ser assim.Têm medo de não saberem como se comportar no encontro com os diferentes.

O diferente é um ser com a alma sempre mais perto da perfeição.Nunca é inexpressivo.Ao contrário,estar junto dele é,sempre,profundamente enriquecedor.Mas,é sempre ignorado por pessoas menos sensíveis e avisadas.

Supondo encontrar um esquisito onde está um diferente,talentos são rechaçados;vitórias são adiadas;esperanças são mortas.Um diferente medroso,este sim acaba,tentando ser ignorado.

O diferente começa a sofrer cedo,pois todos os demais,iguais,pensam eles,por omissão,se unem para transformar o que é peculiaridade em aleijão e caricatura.O que é percepção aguda em "puxa,como fulano é complicado".O que é embrião de um estilo próprio em "você está vendo como todo mundo faz?".

O diferente carrega desde cedo apelidos e carimbos nos quais acaba se transformando.

Diferente é o que chora onde outros xingam;quer onde outros cansam;espera,de onde já não vem;sonha entre realistas;concretiza,entre sonhadores;cria,onde o hábito rotiniza;perde horas em coisas que só ele sabe importantes;diz sempre na hora de calar;cala sempre nas horas erradas;aprendeu a superar o riso,o deboche,o escárnio e a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual;sente antes dos demais começarem a perceber;se emociona enquanto todos em torno agridem.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além.A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender.Nestas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana de que só os diferentes são capazes.

Jamais diminuam os sentimentos de um diferente.Ele é sensível demais para ser conquistado sem que haja consequência com o ato de conquistar.


Arthur da Távola,postado por Sonia Regina.


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SOMOS TODOS MARAVILHOSAMENTE DIFERENTES!!!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Só nós...


Quando ouço sua voz
calma,compassiva,
a me tranquilizar o coração
fico imaginar como seria
se a vida não nos tivesse dito não.

Quando ouço sua voz,
a mesma voz de outrora
mas com a sabedoria
que só o tempo traz,
me sinto cheia de inveja
dos que com você partilham
o comum do dia-a-dia,
seu jeito doce,
seu saber,
seu viver por inteiro.

Mas eu sei
que fui a primeira
a lhe sentir sábio e forte;
eu sei e você também
que o que vivemos,
nós o sabemos, como foi inteiro,
como foi verdade
e conosco seguirá para a eternidade!

Sonia Regina, 18/11/1998

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Cada bibelô é uma alma


Somos seres acumulativos.Com mania de comprar objetos que enfeitam a casa e a vida.Cada vez que se viaja,traz-se para o interior da sala aquelas lembranças que vão fazer parte da nossa memória.E que traduzem nosso gosto estético e um pouco de nossa biografia.

São como aquelas migalhas de pão que João e Maria,no afã de deixar um rastro,espalham pela floresta.E que bem falam deles e de seus destinos.
Estes bibelôs,enfeites,troféus,são assim indispensáveis ao nosso cotidiano.E conquanto não sejam essenciais na prática,têm a transcendência dos livros de oração,de tudo que é para nós sagrado.

Quando visito amigos observo as peças que são objeto de culto por parte do dono.São elas que me dizem em que espécie de casa estou.A quem essa morada de fato pertence.O tipo de rubrica estética e afetiva que o dono leva nas costas.São peças,enfim,que na sua banalidade falam da alma alheia,dos seus medos,da sua infância,das suas frustrações.

Fico a imaginar o que representam esses objetos se lhes faltarem seus donos.Como sobreviveriam à morte de seus proprietários.Onde iriam eles parar na hora do inventário.Sob proteção de quem guardarão eles para sempre o calor dos seus antigos senhores.

De visita,pois,a essas casas,sou frequentemente tomada pela tristeza.Sobretudo quando olho na prateleira aquela alpaca de cobre,por exemplo,trazida das montanhas peruanas,graças ao fervor de quem a comprou com a convicção de incorporá-la ao seu patrimônio pessoal.O que ocorrerá no futuro?

Quantas vezes,após despedir-me de um amigo que se foi para sempre,sofro sobressaltos.Primeiro temo que chova nos dias que se seguem.Não quero encharcada a terra onde repousa meu amigo.Posteriormente evito retornar à casa onde ele viveu acomodado em meio às coisas que compuseram o seu universo.Julgo intolerável inventariar seus objetos,ver dispersas as peças que,longe dele,de volta ao mundo,soltas,sem nome,nada dizem.

O que falará mais dos mortos que seus pertences abandonados?Já não tendo quem os aprecie,encaminhe-lhes um olhar amoroso.Cada peça agora perdendo sua linguagem original.Já não tendo como defender a presença do finado,que começa a esfumar.Como a conclamar que não o esqueçam.

Como é triste um objeto que perdeu seu dono!Quando o dono já não se encontra por perto para tirar-lhe a poeira,para acalentá-lo com a palma quente das mãos.Já não se sabendo destinado a enfeitar a vida e a imaginação de um homem.


Nélida Piñon,postado por Sonia Regina.


Tenho consciência que existe certa morbidez nesta crônica.A meu ver é uma metáfora sobre a qual vale a pena pensar....

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Liberdade


Ai que prazer
não cumprir um dever,
ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira
sem literatura.

O rio corre,bem ou mal,
sem edição original;
e a brisa,essa,
de tão naturalmente matinal,
como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa que está indistinta,
a distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor,quando há bruma,
esperar por "um sonho"
quer venha ou não!

Grande é a poesia,a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
flores,música,o luar e o sol,que peca
só quando em vez de criar,seca.

O mais do que isto
é Jesus Cristo,
que não sabia nada de finanças
nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa,16/03/1935 postado por Sonia Regina.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Morte


"A morte, por si só, é uma piada pronta.
Morrer é ridículo.

Você combinou de jantar com a namorada,
está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem,
precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no
carro e no meio da tarde morre. Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER!!!

Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio
estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve
lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física,
quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para
estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer
da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora
de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...

De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway,
numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém,
sem ter dançado com a garota mais linda,
sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.

Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e
penduradas também algumas contas.
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas,
a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce,
caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina,
começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte
costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã.

Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o
sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não
acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase
nada guardado nas gavetas.
Ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão,
desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero.

E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida... Perdoe... Sempre!!!"


Pedro Bial,postado por Sonia Regina

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sonhos coloridos







Eu sei, eu sei
dos sonhos coloridos
sonhados todo dia
em cada adormecer.

Eu sei, eu sei
de sonhos encantados
todo dia sonhados
sem querer despertar.

Eu sei, eu sei
que os sonhos acontecem,
é só acreditar,


um dia eles vêm
enfeitados de luz,
trazendo alegrias
sem que se precise
sequer adormecer.

Eu sei: basta sonhar,
ter fé, esperar e
ver acontecer!

*


Sonia Regina, 23/08/1993

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Jabuticabas


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos a limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.

Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: - Gosto, e ponto final!Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Já não tenho tempo para ficar explicando aos medianos se estou ou não perdendo a fé porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus.
Caminhar perto delas nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

Ricardo Gondim,postado por Sonia Regina.

sábado, 22 de novembro de 2008

Mensagem


Eu estou aqui!
Eu quem lhe fala
de "lonjuras" imateriais
que, na verdade, não existem.

A vejo tão triste,
tão cismada a meditar
nas razões que traçaram caminhos.

Deixa os motivos de lado,
apenas usa o caminho
preocupada em avançar.
Segue, sempre, adiante
sem sequer se perguntar
onde a estrada vai levar.

Caminha sem olhar pro lado,
sem buscar trilhas
ou perder tempo em descansar.
Aprecia os horizontes,
o pôr do sol, o alvorecer.

Se a vista não permitir
apenas segue o caminho
ajudando a quem precisa-
quem sabe ? - só de um sorriso,
de um olhar terno,
um gesto de amizade.

Os motivos não importam,
eles não curam feridas.
O que nos faz ser melhores
traçar os próprios caminhos
é seguir, sempre, buscando
ser melhor em nossa vida!
*

Sonia Regina, 20/12/1994

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Sobre a Amizade


"Vosso amigo é a vossa necessidade satisfeita.
Ele é vosso campo,que semeais com amor e ceifais dando graças.
E ele é vossa mesa e vossa lareira.
Pois a ele vos achegais com fome,e nele procurais a paz.

Quando vosso amigo expõe sua opinião,não temeis o "não" que está em vossa mente,nem segurais o "sim".
E quando se mantém em silêncio,vosso coração não para de ouvir seu coração;pois na amizade todos os cuidados,desejos e esperanças nascem e são partilhados sem palavras,em uma alegria não declarada.


E quando vos separais de vosso amigo,não fiqueis aflitos;pois aquilo que mais amais nele,ficará mais claro na sua ausência,como para o alpinista parece mais clara a montanha vista do plano.
E que não haja outro propósito na amizade que o aprofundamento do espírito,pois o amor que busca outra coisa que não a descoberta de seu próprio mistério,não é amor,mas uma rede armada,que apanha só o inaproveitável.

O que há de melhor em vós,que seja para o vosso amigo.
Se ele deve conhecer a vazante de vossa maré,que conheça também a enchente,pois o que seria vosso amigo se apenas o procurásseis para matar o tempo?
Procura-o sempre com horas para viver,pois ele é para preencher vossa necessidade,não vosso vazio.

E,na doçura da amizade,que haja o riso,e o partilhar dos prazeres,pois no orvalho das coisas pequenas o coração encontra seu amanhecer,e sente-se refrescado."

Khalil Gibran,postado por Sonia Regina.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Retrato


Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo,assim triste,assim magro,
nem esses olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples,tão certa,tão fácil:
-Em que espelho ficou perdida a minha face?


Cecília Meireles,postado por Sonia Regina.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Dons de Deus


Gabi é uma mocinha adorável, meiga, tranquila, prestativa e Deus a dotou de alguns talentos que ela explora com orgulho e muita alegria.




Ao nascer os prognósticos não lhes foram muito favoráveis: Deus a dotara, além dos talentos, com a síndrome de Down.





No entanto a vida, por ser perfeita, mostrou à sua mãe os caminhos para tornar falsos aqueles prognósticos. Ela saiu em busca de terapias, escolas, técnicos e todos os meios para que sua menina crescesse o mais sã possível.





Com a passagem dos anos Gabi mais e mais se desenvolvia. Aprendeu a ler bem, a escrever com alguma dificuldade, a se cuidar e ajudar nas tarefas caseiras, adora ler revistas de "fofocas" televisivas, conversa com todos e tem muitos amigos.






Gosta de assistir a DVDs, de música e de dançar. Deste talento falarei em uma outra ocasião.






Um dia, no grupo de convivência que frequenta surgiu uma nova oficina: a oficina de tapeçaria. Sua mãe colocou para a professora que ela não conseguiria, pois jamais havia segurado uma agulha comum, que se dizer de uma agulha para tecer tapetes?






A professora insistiu, alegou conhecer métodos específicos para aquele ensinamento e a mãe de Gabi se rendeu.





No início tudo era muito complicado: a agulha, as lãs, a tela,a tensão do ponto, muito difícil. Bem!Quem achava difícil era a mãe da mocinha porque ela mesma insistia e insistia. Aos poucos os trabalhos foram ficando mais organizados, mais esticados, os pontos mais regulares e as belezas foram surgindo...





De início tapetinhos para colocar sob o telefone, pequeninos painéis, bolsinhas...





Passou a trabalhar em tapetes para colocar ao lado da cama, mais coloridos, mais alegres, mais elaborados.



Quando sua mãe deu por si, Gabi já bordava lindos painéis, sem se preocupar com tamanho, caminhos para mesa, tapetes para chão e todos elaborados com muito capricho.





Hoje, sempre que lhe sobra tempo, pois faz muitas atividades, está às voltas com suas agulhas, lãs e telas e volta e meia indaga à sua mãe: - Não está lindo?





Gabi faz exposições mas não vende seus tapetes porque, infelizmente, as pessoas não dão o devido valor e desconhecem o custo do material.





No entanto, como é um espírito pleno de amor em si, Gabi resolveu o problema de sua mãe acomodar tantos tapetes em casa, que não é muito espaçosa. Quando termina um trabalho ela decide a quem presentear e os dá às pessoas que sabe apreciá-los. Já ofereceu a parentes, amigos, ao seu médico e, até mesmo, à moça que trabalha nos serviços domésticos na casa de sua irmã, que é uma pessoa muito sensível e calada, mas que ela percebeu o seu interior e a delicadeza com que a trata.






A mãe de Gabi tem muito orgulho deste talento oferecido por Deus e a Ele agradece pela filha e pela alegria que este dom proporciona à Gabi.






Sonia Regina.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Quisera


Quisera ter tido um homem.
Homem de pedras,
tijolos, cimento, mármore,
madeira e, porque não?
floreiras e flores.

Quisera ter conhecido
um homem
com alma
de valer a pena
construir um sonho,
vê-lo crescer,
transformar-se em realidade.

Quisera um homem
a quem pudesse
indagar, obtivesse respostas
e confiasse nelas.

Quisera um homem
de fala mansa,
sorriso largo,
preocupações saudáveis
no olhar
e sangue de verdade nas veias
e alma de poeta
e toque de escultor.

Quisera um homem,
um ser com sonhos
mesmo patéticos
a realizar...

Deus não quis,
não permitiu
e me transformei
em ser teimoso
que sonha feminino
e age como o ser
que eu, um dia,
quisera ter.


Sonia Regina, 21/05/1999

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

As pessoas,esse mistério


Eu inventei uma categoria. Chama-se:"as pessoas". Não está nos manuais de sociologia, nem nos livros de Freud. Não pertence a classes sociais, não excita ideólogos. As pessoas.

Não são a massa, tampouco o indivíduo. Não são turba, multidão, ajuntamento ou turma. As "pessoas" não se definem.

Elas estão entre os que sonham e não conseguem. São burras, feias, lindas ou inteligentes. As"pessoas" são o tempo passando em forma de gente. São os séculos desfilando em forma de vidas.

As pessoas estão na multidão, mas não são a multidão. Estão nos auditórios,salões da sociedade ou nos quadros dos pintores.

As pessoas consomem sem teorizar, amam sem saber, vivem sem cogitar. As pessoas respondem ao que lhes fala ao sentimento, dizem bobagens, grandezas, lêem subliteratura, lêem Proust, Drummond ou Rubem Fonseca, adoram Fernando Pessoa ou Brahms.

As pessoas não pensam, são. Não vivem, duram. Não falam, reagem. Não buscam, têm. Não sabem, agem. As pessoas são aquelas que nas fotos ninguém sabe quem são.

As pessoas estão. Ali, aqui, eu, tu, ele, nós, vós, eles.

Amar as pessoas em suas rugas e sonhos. Sentir o espasmo absurdo e maravilhoso de seu sentimento. Beber sua alienação. Entender sua grandeza.

São as pessoas, as que estão aí, vendo caladas e sonhando, sonhando, sonhando sempre e vendo caladas o tempo implacável passar sobre elas. São elas as que nos devolvem à média melancólica do que somos sem os vernizes de tanta coisa.

As pessoas estão aí: comendo, envelhecendo, amando, durando, indo ao psicanalista,entupindo-se de teorias e pastéis, curtindo shows, modas e circunstâncias, vivendo aqui e alhures, pagando aluguéis e rindo de piadas, crescendo as bochechas e tentando biografias, dando razão a educadores ou comprando CDs, batendo nos filhos e comendo sanduíches,passando, passando.

As pessoas não têm rosto. Rosto é ampulheta: implacável e indiferente.


Artur da Távola, postado por Sonia Regina.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A chave


*imagem do artista Orlando Lomardo
***

Não adianta tentar me prender,
não adianta tentar me calar,
não adianta, fechando esta porta,
tentar me impedir de caminhar.

Meu corpo fica triste,
tenso e preso,
e o meu pensar viaja,
passeia, sonha e vai
onde bem quer.

Não são portas nem palavras
que aqui vão me prender.
tenho um coração que pulsa,
posso te olhar e me fazer de nada
e, com o meu pensamento,
em nada te fazer.

Porque nada és,
sair por aí
pensando o que quiser,
brincando de voar.

Voando vou ao céu
e lá vou me encontrar,
juntar meus pedaços,
inteira viver o que,
sempre, me negaram.

Vou sorrir, me embelezar,
cantar, brincar, conversar,
tendo ao meu lado as pessoas
que desejar encontrar:
os que pela vida perdi,
os que a morte me levou,
aqueles que aqui em baixo
sequer percebi passar.

Os que pegaram o trem
em outro horário,
os que deixaram a casa mais cedo
ou que, num certo dia,
trocaram de caminho
ao sair pra passear.

Lá em cima vou receber,
quando sair no meu vôo
tudo que me foi negado
por ti, muito mais por mim.

Vou voar, voar bem alto,
só volto se desejar.

Por isso guarda tua chave,
teus gritos, teus egoísmos:
posso voar quando quero,
ninguém me pode impedir.

Posso ir onde, bem sei,
há a vida que sonhei.
Sou livre, tenho asas,
que certos olhos não vêem,
que mãos não podem podar.
**

Sonia Regina, 30/11/1991

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Cora Coralina e a homenagem às amigas


Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas, 20/08/1889 — 10/04/1985, é a grande poetisa do Estado de Goiás.
Se achava mais doceira do que escritora. Considerava os doces cristalizados de caju, abóbora, figo e laranja, que encantavam os vizinhos e amigos, obras melhores do que os poemas escritos em folhas de caderno.

Só em 1965, aos 75 anos, ela conseguiu realizar o sonho de publicar o primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas viveu por muito tempo de sua produção de doces, até ficar conhecida como Cora Coralina, a primeira mulher a ganhar o Prêmio Juca Pato, em 1983, com o livro Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha.

Nascida em Goiás, Cora tornou-se doceira para sustentar os quatro filhos depois que o marido, o advogado paulista Cantídio Brêtas, morreu, em 1934. “Mamãe foi uma mulher à frente do seu tempo”, diz a filha caçula, Vicência Brêtas Tahan, autora do livro biográfico Cora Coragem Cora Poesia. “Dona de uma mente aberta, sempre nos passou a lição de coragem e otimismo.”

Aos 70 anos, decidiu aprender datilografia para preparar suas poesias e enviá-las aos editores. Cora, que começou a escrever poemas e contos aos 14 anos, cursou apenas até a terceira série do primário. Nos últimos anos de vida, quando sua obra foi reconhecida, participou de conferências, homenagens e programas de televisão, e não perdeu a doçura da alma de escritora e confeiteira.

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HOMENAGEM ÀS MINHAS MELHORES AMIGAS BLOGUEIRAS

Hoje tenho a tarefa de aconselhá-las: sejam eternamente aquilo que vocês desejarem, sem que ninguém interfira nisso.
Quero que vocês vivam intensamente e que todos os sonhos de vocês se realizem.

Quero que vocês continuem assim!Que vocês sejam tristes, que dêem sorrisos atoa, que chorem de felicidade, que gritem de dor, quero que vocês tenham a mesma dignidade de sempre, que vocês consigam transparecer tudo, e que acima de tudo sejam intensas. E que vivam intensamente.

Façam dos sentimentos uma dádiva,ergam a cabeça,e tenham a simplicidade de admitir os seus erros.Errem! Errem muito, porque não há nada de errado nisso.
Sonhem com tudo aquilo que vocês mais desejam, desejem demais! Nunca tenham medo do que vocês possam ser.

Quando cair a noite,eu quero que vocês fujam,mas fujam de si mesmas,para não continuar sempre no mesmo lugar,sempre com as mesmas perspectivas.
Eu quero que vocês renovem as suas esperanças todos os dias.Eu quero que vocês sintam saudades dos velhos tempos,e que vocês percebam o quanto é importante ter amigos,o quanto é importante se sentir bem.

Eu quero que vocês chorem por amor,mas que vocês diferenciem grandes amores.Um fim de um grande amor é muito ruim,mas um grande amor não tem fim.
Eu quero que vocês estufem o peito por viver nesse mundo maravilhoso,que vocês contem a nossa história para todos que vierem perguntar sobre felicidade.

Eu quero que vocês tenham a coragem que eu não tive,que estufem o peito para canhões,quebrem o muro de Berlim,destruam as cátedras de Paris,e que defendam
as suas próprias palavras.

Eu quero que vocês contem muitas,muitas histórias porque a vida não tem graça sem uma boa história pra contar.
Quando vocês se sentirem tristes,saibam que vocês não precisam de ninguém para sentir a tal felicidade,mas que sempre que precisarem eu estarei aqui.

Desejo que vocês aproveitem o máximo a felicidade,que não esqueçam do universo,das lindas estrelas,que assim como elas,meu amor é imenso.
Desejo que vocês esqueçam o ontem e vivam o hoje. Porque o amanhã estará por vir e será muito mais lindo.

Lembrem-se que não há limitações para os sentimentos,amem intensamente,não tenham vergonha desses sentimentos,por mais simples que sejam eles são seus e tudo que vem de vocês é unico e inigualável. Aprendam que ninguém nunca vai deixar vocês tristes e que um dia de sol poderá mudar tudo.
Aprendam que com um pouquinho de amor,supera-se tudo. Tenham fé e percebam o quanto isso alivia e renova.

Todo dia enfrentem pelo menos uma coisa que vocês vão mesmo sentir medo. Saibam que os problemas são consequências de um ato,por isso pensem muito antes de fazer qualquer coisa.

Desejo a vocês noites de risos,de piadas,de brigadeiros. E que se um dia eu partir antes de vocês,olhem para o céu e lembrem-se:eu estarei sorrindo.
Não percam tempo com inveja,com falsidade,o bom mesmo é aquilo que vem de vocês, pois é puro e verdadeiro.

Agradeçam a seus pais, pela vida, pelo amor, pela alegria. E agradeçam mais ainda por serem eles que deram a linda vida a vocês, e que são eles as pessoas de quem vocês mais se orgulham, e que vocês admiram a coragem, o amor, as palavras mesmo que muitas vezes não batam com as suas.

Digam aos seus irmãos que o amor mais fraterno que existe é o deles, e estejam certas disso: eles serão os únicos que daqui a alguns anos,saberão mesmo lhes ajudar, lhes apoiar, e serão os padrinhos mais lindos para seus filhos, mesmo que talvez não recebam esta graça.

Digam tudo o que sentirem hoje, amanhã poderá ser tarde.
Não esperem vencer toda a guerra,todo o conflito,a angústia, mas lutem.
Sejam conscientes, e saibam que o mundo não gira em torno de vocês.
Quero que quando vocês esquecerem de mim, que pelo menos lembrem-se do quanto foi boa nossa amizade, e de quanta felicidade vocês me proporcionaram.

Amigas, vocês são a alegria de uma tarde vazia, vocês são pedras preciosas, vocês são flores de um jardim. Pra mim vocês possuem muito mais valor do que isso.
Sejam loucas e arrisquem tudo que for preciso pela felicidade de vocês! Jamais esqueçam, isso é só para os raros. Isso é só para vocês.

Eu desejo a voces, a felicidade mais pura e sincera que existe, muitas alegrias, muitos amores, que vocês sintam o quanto são especiais para mim. Desejo as minhas irmãs de alma, que a nossa amizade dure a eternidade, assim como meu amor. Lembre-se, estarei aqui para o que for necessário, em dias tristes ou felizes, vocês
serão para sempre as minhas estrelas-guia. Sejam raras, sejam eternas, sejam VOCÊS. Não duvidem nunca do quão especiais vocês são!

Queria dizer às minhas melhores amigas que elas são as pessoas mais bonitas que eu já conheci, e que conviver com elas é um privilégio.
Contar também que algumas das histórias que eu vou contar quando for velha referem-se a elas, e certamente são as mais engraçadas.

Queria dizer a cada uma de vocês o quanto são importantes. Seja pela força, pela energia ou pelo gênio. São algumas, que somam mil personalidades e um milhão de sorrisos. São muitas,que dividem mil segredos e um milhão de quilos do mundo. São muitas,que fazem as minhas noites mais divertidas e os meus problemas menores.
Queria dizer que eu sou uma soma de todas vocês.

Cora Coralina,postado por Sonia Regina.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Fome de letras


Sinto fome
de palavras
que me somem
no papel.

Sinto fome
de escrever,
de dizer
dos meus pensares,

como a fome
que é preciso
um pão para saciar.

As idéias
se embaraçam
e minha fome
de gravar
nesta folha
meu pensar
não encontra
uma migalha
uma casquinha
de assunto
que me possa saciar.


Sonia Regina,19/05/1994

domingo, 9 de novembro de 2008

Presentes

Esta imagem que ornamenta a abertura de meu blog é um trabalho de meu filho Orlando Lomardo, desenhista gráfico e artista plástico que a criou como homenagem à sua mãe que não cabe em si de orgulho pelo presente!

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Hoje é um dia especial para mim e para este blog. Completamos,ambos, duzentas postagens. Para mim é importante, pois quando criei este espaço não sabia, e ainda resta muito para aprender, coisa alguma sobre computação.

Ganhei o computador de meus filhos mais velhos que o instalaram e me disseram: - Vai mexendo em tudo que ele mesmo vai lhe responder às suas perguntas. E eu ,abusada que sou, resolvi fazer, para começar, um blog.

Confesso que para colocá-lo na tela fiz dezessete tentativas. Dessas todas consegui a proeza de constar no Blogger que eu os tenho em número de quatro, todos com o mesmo título e apenas um com textos, e eu, por desconhecer o que pode acontecer tenho receio de deletar os outros três e acabar com tudo, rsrs.

Essa não é a postagem de hoje é só a história do meu "...vou gritar pra todo mundo ouvir...". O meu post é uma homenagem aos meus filhos que me deram o presente que me trouxe tanta alegria, por ele mesmo e pela oportunidade de conhecer pessoas adoráveis e seus trabalhos que me aquecem a alma.
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PRESENTES


Lando, Dani e Gabi
três presentes que ganhei
sem saber que jóias eram.

Lando, menino mimado,
zangado e pouco apressado,
sempre, com tintas e cores
a enfeitar suas telas.

Dani, linda, brava, sorridente
tem, sempre, resposta pronta
a quem a queira magoar.

Gabi, com seu jeito manso,
faz-me parar pra pensar
se o normal, normal seria
ou se ela tão especial
é que normal se faria.

Meus três filhos,
três presentes
de Reis Magos invisíveis
trazendo à minha vida
risos, cores, alegrias
que todos julgam impossíveis.

Deus abençoe vocês
porque existem e são meus!
Deus mandou,
os recebi
e os quero pra sempre aqui.

Encabuladamente,
*

Sonia Regina,06/01/1992