QUEM SOU EU...


"Ninguém pode calar dentro em mim esta chama que não vai passar, é mais forte que eu e não quero dela me afastar....



Eu não posso explicar quando foi e nem quando ela veio, mas só digo o que penso, só faço o que gosto e aquilo em que creio..."(Maysa)



Com as outras dores fazem-se versos...com as que doem,grita-se! (Fernando Pessoa)













Quem "grita" como eu......

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!
Luar dando espetáculo na praia da Boa Viagem!"

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

BAILINHO DOS ANOS DOURADOS


Final da década de cinquenta. Bailinho de começo de noite, sempre realizado em casa de um parente de olhos atentos.

A sala em borborinho: risadinhas das moças, olhares cobiçosos e disfarçados dos rapazes. Alguém sempre procurando um par. Moças de um lado da sala, rapazes de outro. Elas, pacientes e ansiosas aguardando que eles a convidassem para dançar. É, naqueles anos, havia que se esperar o convite e só se dançava aos pares, até mesmo o rock, mais ligeiro e de passos acrobáticos havia que ser dançado por um casal.

Eles, fingindo segurança, morriam de medo que a mocinha lhes negasse a contradança, pois era, então a maior desfeita que poderiam receber em uma ocasião como essa, e o pior, frente a todos os amigos.

Ela o namorara durante alguns meses, namoro de mãos dadas e beijinhos furtados, no rosto, beijo,de verdade, ou seja boca na boca, sem essa de língua, só de assalto mesmo, no susto e porque negar, para o prazer de ambos. Estavam brigados, se fingiam amigos, se falavam, mas, na verdade os dois estavam sonhando com o dia em que "voltariam" ( era o termo usado para quem reatava um namoro ).

A música rodando na vitrola, tocava e ninguém a tirava para dançar nem ele convidava qualquer das meninas para girar no salão. Ele estava em uma poltrona defronte a ela que,do outro lado da sala, mantinha-se de pé. Recomeça mais uma canção, Only you, cantada pelo conjunto The Platters, que sempre dançavam juntos.

Ele faz um pequeno sinal com a mão e o coração dela quase explode de alegria, afinal, ele a convidara e ela iria para junto dele, sentiria seu perfume, Lancaster.Ele a enlaçaria suavemente a uma distância conveniente e ela sentiria o calor de suas mãos e abraçaria o mais perto que pudesse a sua nuca. Lá não chegaria, pois isso era proibido, tentava adivinhar como seria se pudesse abraçá-lo de verdade.

A mocinha era só sorrisos, sorrir para ela era fácil e o rapaz em sua beleza, para ela única, dançou a música inteira com um meio sorriso nos lábios mas com o carinho costumeiro que tinha ao dançar com ela. A música terminou e o moço agradeceu pela dança, como era costume e foi levá-la ao seu lugar ( isso devia ser feito, sempre, levar a dama ao lugar de onde a tirara para dançar).

Antes de afastar-se sussurou que precisava lhe dizer uma coisa e ela imaginou : - Vai me pedir para fazermos as pazes! Ele olhou nos olhos verdes da menina e declarou com olhos frios e debochados: - Quando lhe fiz aquele sinal eu estava lhe oferecendo o meu lugar para que se sentasse e não a convidando para dançar.

Nesse dia a linda mocinha chorou! Três dias depois haviam feito as pazes e namoraram por algum tempo, mas deste bailinho ela jamais esqueceu...e do rapaz também não!

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*Esse conto é absolutamente verídico...

Sonia Regina, 04 / 08 / 2008