
No trigal aprendeu a vida.
Ali,junto aos companheiros,presos à imobilidade,aprendeu a paciência.Paciência de esperar o sol
nascer para aquecê-la da umidade do orvalho.Paciência de esperar o ocaso para que o sereno pudesse refrescá-la do calor do sol.E a vida transcorria num dia-a-dia de espera e paciência.
Aprendeu,também,a alegria simples de bailar com a brisa,mesmo que o bailado não a levasse a lugar algum.Alegrava-se com a delícia do balançar e com o frescor da brisa que a acalentava.O sol a fez dourar.Renasceu,sabendo do valor da espera,da paciência e da alegria das coisas simples.
Renasceu,sabendo de horizontes que avistava do alto de sua imobilidade.Renasceu,ainda,com a sensação de que esses horizontes não poderiam ser alcançados,apenas admirados e festejados ao nascer do sol somente por existirem.
Renasceu sabendo muito de esperar e não tanto de sair do lugar...Tentou ser diferente,convencer-se que era gente,começar a caminhar;a sensação das raízes permaneceu e bailou ao vento. A beleza do bailado a embriagou e refletiu que importante é se deixar evoluir com a brisa...e a imobilidade permaneceu!
SoniaRegina/1993