
Recuso-me a viver nesta clausura;
quero gente,quero sol,
quero vento no rosto;
quero sorvete,pipoca
e sapato apertando
pobres pés doendo
do seu caminhar.
Quero olhar o céu...
ver a lua,contar estrelas;
passear por aí sentindo
o cheiro da noite,
aquele cheiro que só eu conheço.
Quero não ter hora,
não ter dia,
apenas poder ser,
quando meu ser pedir.
Quero gente à minha volta
me vendo como gente.
Quero gente que me fale
o que anseio escutar
e pare pra escutar o que anseio dizer.
Recuso-me a calar nesta clausura,
se tanto tenho a dizer,
a ver,a cantar.
Ah!como eu gosto de cantar
e estão me emudecendo.
Sonia Regina/1985