QUEM SOU EU...


"Ninguém pode calar dentro em mim esta chama que não vai passar, é mais forte que eu e não quero dela me afastar....



Eu não posso explicar quando foi e nem quando ela veio, mas só digo o que penso, só faço o que gosto e aquilo em que creio..."(Maysa)



Com as outras dores fazem-se versos...com as que doem,grita-se! (Fernando Pessoa)













Quem "grita" como eu......

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!
Luar dando espetáculo na praia da Boa Viagem!"

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

SONO DE MENINA



Final de domingo, finalzinho mesmo...Deitada, pronta para esperar o sono,a mulher folheia o jornal e o barulho das folhas ao serem dobradas, no silêncio da casa, trazem à lembrança dela ruído semelhante que ouvia no quarto de seus pais,quando criança.Em seu quarto, onde se sentia abandonada, ouvia o "chocalhar das folhas do jornal", lido por seu pai e enquanto o barulho persistia ela sabia que tinha companhia, que alguém estava acordado.

Suas noites eram terríveis, insones e cheias de medo. Ouvia estalos no silêncio da casa e via vultos a subirem pelas escadas e seu medo era pavor!

Desejava correr para o quarto dos seus pais, para a segurança de suas companhias - o pai não o permitia -apenas,em raríssimas ocasiões-quando o horror era tamanho que ultrapassava seu sentido de obediência e lá ia ela, travesseiro arrastando, deitar-se entre os dois.

Esses eram os dias em que o pai percebia o tamanho do seu horror e não tinha coragem de mandá-la de volta ao quarto.

Reflito no porquê dos adultos, sabedores dos medos das crianças e sabendo-se tão poderosos para elas, lhes negarem a proteção que pedem em nome de uma autoridade que eles próprios não tem certeza de possuir.

Porque castigar uma criança com noites de pavor se está na presença, nos braços, no carinho, no aconchego deles permitir que durmam tranquilas?

A infância passa tão depressa mas suas marcas persistem para sempre...e os adultos, os pais, as mães não sabem quanto tempo terão para exercer suas autoridades.

Seria mais doce, mais fácil e mais prazeroso se todas as lembranças fossem de segurança, de aconchego e não do se desejar ouvir um roçar de folhas de jornal pela noite afora, esperando que alguém varasse a noite a lê-lo para que uma menininha pudesse passá-la a dormir tranquilamente.


Sonia Regina/1999