QUEM SOU EU...


"Ninguém pode calar dentro em mim esta chama que não vai passar, é mais forte que eu e não quero dela me afastar....



Eu não posso explicar quando foi e nem quando ela veio, mas só digo o que penso, só faço o que gosto e aquilo em que creio..."(Maysa)



Com as outras dores fazem-se versos...com as que doem,grita-se! (Fernando Pessoa)













Quem "grita" como eu......

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!
Luar dando espetáculo na praia da Boa Viagem!"

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

As pessoas,esse mistério


Eu inventei uma categoria. Chama-se:"as pessoas". Não está nos manuais de sociologia, nem nos livros de Freud. Não pertence a classes sociais, não excita ideólogos. As pessoas.

Não são a massa, tampouco o indivíduo. Não são turba, multidão, ajuntamento ou turma. As "pessoas" não se definem.

Elas estão entre os que sonham e não conseguem. São burras, feias, lindas ou inteligentes. As"pessoas" são o tempo passando em forma de gente. São os séculos desfilando em forma de vidas.

As pessoas estão na multidão, mas não são a multidão. Estão nos auditórios,salões da sociedade ou nos quadros dos pintores.

As pessoas consomem sem teorizar, amam sem saber, vivem sem cogitar. As pessoas respondem ao que lhes fala ao sentimento, dizem bobagens, grandezas, lêem subliteratura, lêem Proust, Drummond ou Rubem Fonseca, adoram Fernando Pessoa ou Brahms.

As pessoas não pensam, são. Não vivem, duram. Não falam, reagem. Não buscam, têm. Não sabem, agem. As pessoas são aquelas que nas fotos ninguém sabe quem são.

As pessoas estão. Ali, aqui, eu, tu, ele, nós, vós, eles.

Amar as pessoas em suas rugas e sonhos. Sentir o espasmo absurdo e maravilhoso de seu sentimento. Beber sua alienação. Entender sua grandeza.

São as pessoas, as que estão aí, vendo caladas e sonhando, sonhando, sonhando sempre e vendo caladas o tempo implacável passar sobre elas. São elas as que nos devolvem à média melancólica do que somos sem os vernizes de tanta coisa.

As pessoas estão aí: comendo, envelhecendo, amando, durando, indo ao psicanalista,entupindo-se de teorias e pastéis, curtindo shows, modas e circunstâncias, vivendo aqui e alhures, pagando aluguéis e rindo de piadas, crescendo as bochechas e tentando biografias, dando razão a educadores ou comprando CDs, batendo nos filhos e comendo sanduíches,passando, passando.

As pessoas não têm rosto. Rosto é ampulheta: implacável e indiferente.


Artur da Távola, postado por Sonia Regina.