
O de alma vazia
perdida, insensível,
odeia o que é capaz
de em duas palavras
ou em um pensamento
dizer, escrever, falar
do seu mundo, em que não vive.
Por isso te entendo:
rasga meus versos,
todos que encontrares.
Destrói o que gosto,
tudo o que puderes.
Xinga meu ser,
meu corpo, minha alma...
Em meus pensamentos,
meu mundo interior,
jamais penetrarás,
nunca o entenderás.
Vejo beleza
onde não vês nada;
sinto perfumes
que nunca aspirarás;
tenho uma vida só minha,
sem máculas, sem gritos,
sem mágoas,
sem sequer vivê-la.
Sou capaz de colocar
palavras corretas e limpas,
pra dizer o que penso
de gente que me ofende e fere.
Vá em frente! Rasga os versos,
fui eu quem os criou,
sinto carinho por eles.
Mas pensa, pensa:
meus pensamentos,
minha mão, meu lápis
farão outros e outros
para que os rasgues...
Mas saiba, mas saiba
que nunca, nem mesmo
eu partindo,
poderás destruir o poder
e o direito que tenho de pensar!
***
Sonia Regina, 09/ 05/ 1978