
"Gostaria de passar despercebida.
Não era questão de gostar. É que não sabia.
Fazia com naturalidade o que alguém precisava fazer.
Dizia com insistência o que muitos preferiam não ouvir.
Quando a escutavam, diziam que falava muito alto.
Quando não a ouviam, será porque não falara?
Quando silenciava, atribuiam a algum propósito o seu silêncio.
Nunca tivera outras intenções senão as que declarava.
Muito vista, e pouco conhecida, creio que assim ficará até morrer.
Mas nunca passará em silêncio pela vida catando, para arvorar como insígnia os sinais de alienação."
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Desconheço o autor, postado por Sonia Regina/1996