QUEM SOU EU...


"Ninguém pode calar dentro em mim esta chama que não vai passar, é mais forte que eu e não quero dela me afastar....



Eu não posso explicar quando foi e nem quando ela veio, mas só digo o que penso, só faço o que gosto e aquilo em que creio..."(Maysa)



Com as outras dores fazem-se versos...com as que doem,grita-se! (Fernando Pessoa)













Quem "grita" como eu......

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!
Luar dando espetáculo na praia da Boa Viagem!"

sábado, 14 de fevereiro de 2009

HOJE É O MEU ANIVERSÁRIO


Nesta "foto" está faltando ele e a saudade dele está doendo em mim!
(Jacob do Bandolim)



"O texto que se segue, belo,verdadeiro é a realidade do momento que vivo - e Viva este momento! - que por mim será vencido, como sempre!!!"

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Hoje é dia de meu aniversário. E de todas as minhas modestas dimensões humanas, a que mais me realiza é a de ser "mãe".
Ser "mãe" é, acima de tudo, não esperar recompensas. Mas ficar feliz caso e quando cheguem. É saber fazer o necessário por cima e por dentro da incompreensão. É aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura intolerância (mas compreensão) com os próprios erros.

Ser "mãe" é aprender, errando, a hora de falar e de calar. É contentar-se em ser reserva, coadjuvante, deixada para depois. Mas jamais falar no momento preciso. É ter a coragem de ir adiante, tanto para a vida quanto para a morte. É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho, fazendo-se forte em nome dele e de tudo o que terá de viver para compreender e enfrentar.

Ser "mãe" é aprender a ser "contestada" mesmo quando no auge da lucidez. É esperar. É saber que experiência só adianta para quem a tem, e só se tem vivendo. Portanto, é aguentar a dor de ver os filhos passarem pelos sofrimentos necessários, buscando protegê-los sem que percebam, para que consigam descobrir os próprios caminhos.

Ser "mãe" é: saber e calar. Fazer e guardar. Dizer e não insistir. Falar e dizer. Dosar e controlar-se. Dirigir sem demonstrar. É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos filhos o que, a alma, lhe corrói. Ser "mãe" é ser "boa" sem ser "fraca". É jamais transferir aos filhos a quota de sua imperfeição, o seu lado fraco, desvalido e órfão.

Ser "mãe" é aprender a ser "ultrapassada", mesmo lutando para se renovar. É compreender sem demonstrar, e esperar o tempo de colher, ainda que não seja em vida. Ser "mãe" é aprender a sufocar a necessidade de afago e compreensão. Mas ir às lágrimas quando chegam.

Ser "mãe" é saber ir-se apagando à medida em que mais "nítida" se faz na personalidade do filho, sempre como influência, jamais como imposição. É saber ser "heroína" na infância, exemplo na juventude e amizade na idade adulta do filho. É saber brincar e zangar-se. É formar sem modelar, ajudar sem cobrar, ensinar sem o demonstrar, sofrer sem contagiar, amar sem receber.

Ser "mãe" é saber receber raiva, incompreensão, antagonismo, atraso mental, inveja, projeção de sentimentos negativos, ódios passageiros, revolta, desilusão e a tudo responder com capacidade de prosseguir sem ofender; de insistir sem mediação, certeza, porto, balanço, arrimo, ponte, mão que abre a gaiola, amor que não prende, fundamento, enigma, pacificação.

Ser "mãe" é atingir o máximo de angústia no máximo de silêncio. O máximo de convivência no máximo de solidão. É, enfim, colher a vitória exatamente quando percebe que o filho a quem ajudou a crescer já, "dela", não necessita para viver. É quem se anula na obra que realizou e sorri, "serena", por tudo haver feito para deixar de ser importante..

"Agradeço a Deus por mais um ano!"

Arthur da Távola,postado por Sonia Regina.

***as palavras entre aspas foram trocadas para o feminino.O texto original é no masculino.