QUEM SOU EU...


"Ninguém pode calar dentro em mim esta chama que não vai passar, é mais forte que eu e não quero dela me afastar....



Eu não posso explicar quando foi e nem quando ela veio, mas só digo o que penso, só faço o que gosto e aquilo em que creio..."(Maysa)



Com as outras dores fazem-se versos...com as que doem,grita-se! (Fernando Pessoa)













Quem "grita" como eu......

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Próximo


Existe um mantra em que se repete:"Próximo,Próximo."A medida que você expande o seu receptor e seu desejo aumenta,existirão desafios e situações desconfortáveis.

Você se sentirá rejeitado e ofendido.

O que você pode fazer é aprender sua lição e seguir em frente.

Ficamos desnecessariamente preocupados com problemas do passado,relacionamentos que não deram certo e traumas de infância.Diga:"Próximo!"E vá em frente.

Quando uma borboleta sai de seu casulo,por acaso ela leva o casulo consigo?

Próximo.Hoje,aceite a rejeição.Por mais que você se sinta queimando,siga em frente.

Quebre as cascas que rodeiam sua alma.E lembre-se de deixá-las para trás depois que elas se quebrarem.

Próximo.Levante,sacuda a poeira e deixe o que passou para trás.


Shmuel Lemle,postado por Sonia Regina,03/10/2008

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Decisão


Vou encontrar meu caminho.
Vou me encontrar a mim mesma.
Vou encontrar meus queridos.
Vou encontrar meus desejos.

Vou ao encontro dos sonhos.
Vou ao encontro da vida.
Vou ao encontro marcado.
Vou ao encontro perdido.

Vou perdendo os medos todos.
Vou perdendo a mansidão.
Vou perdendo essa tristeza.
Vou perdendo a solidão.

Vou sozinha me encontrar.
Vou sozinha te achar.
Vou sozinha viajar.
Vou sozinha e vou te amar.

Vou amar quem me quer bem.
Vou amar a terra, o mato.
Vou amar o universo.
Vou amar o chão que piso.

Vou pisar firme e sem medo.
Vou pisar a terra fofa.
Vou pisar quem me ferir.
Vou pisar quem me iludir.

Saio livre pra voar
tal e qual um passarinho
que necessita do espaço
pra voar, se libertar.

Liberto-me agora e já,
me liberto da agonia
de ver os dias passando,
esquecendo que sofria...


Sonia Regina,21/04/1992

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Tributo à minha irmã




Hoje vou postar um singelo e triste relato de minha irmã mais nova Silvana Regina.

Ela era 13 anos mais nova que eu.Quando nasceu nosso pai já havia falecido,daí foi criada com todos os mimos que eram de se esperar ante a situação.

Criança bonita, levada e inteligente era o encanto de todos nós. No entanto, sempre foi de fazer o que lhe desse vontade e minha mãe, já com certa idade, de saúde abalada sentia dificuldades em manter sua autoridade, apesar de muito apegadas uma a outra. Quanto tinha 16 anos nossa mãe faleceu e a rotina de vida de minha irmã mudou.

Há dois dias atrás fui fazer uma faxina na estante onde coloco meus livros prediletos e encontrei um livreto do Centra-Rio/Ses, um centro terapêutico para reabilitação de pessoas com qualquer tipo de dependência química. Este folheto foi editado ao final do ano de 2003, como comemoração por mais um grupo de reabilitados.

Silvana Regina faleceu em agosto de 2007, aos 50 anos sem aviso e num sopro. Sua saúde ficara debilitada pelos problemas que teve e nesta noite ela apenas disse ao marido que não estava muito bem, mas que iria dormir e acordaria melhor. Nunca mais viu o dia.

Apesar dos problemas que apresentou sua casa era uma alegria constante. Mãe de três filhos, bem criados e responsáveis, visitá-la era rir muito, saborear quitutes deliciosos, cantar e dançar muito pagode. Sempre uma festa!!!! Em nós todos, irmãos, filhos e netos ficou uma lacuna que jamais será preenchida.

Silvana era especial, quem não a conheceu, não sabe o que perdeu!!!

Ela mesma vai contar sua história, relatada no folheto do Centra-Rio.

Esta postagem deve ser um sinal para todos, quer tenham filhos, netos ou não. Com ela desejo alertar para o fato de que qualquer substância que tome conta de nós, de nós leva tudo, até a vida.

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POÇO SEM FUNDO

Eu ouvia falar
que a droga é um poço sem fundo,
que deixa marcas profundas,
difíceis de se apagar.
Mas era tempo de brincadeira,
tempo de contestar...
na minha ingenuidade pensava:
quando quiser vou parar!
Eu era, então, adolescente.

O tempo foi passando
e eu continuava usando
sem ainda me importar.
Era tempo de ser bonita,
era tempo de dançar
pagodes, danceterias,
gente a me rodear.
Pela droga estava apaixonada!
Porque, então, parar?
Eu era, então, uma adulta jovem.

As coisas, então, mudaram:
não era mais eu quem usava as drogas
eram elas que me consumiam.
Minha vida tornou-se um inferno:
não tinha mais alegria,
sem elas eu era nada,
sentia-me inadequada,
não sabia nem falar.
Neste momento percebi que já era
impossível parar.
Eu era, então, uma adulta.

Após muito sofrimento e muita busca
cheguei ao Centra-Rio.
Aprendi que a dependência é doença
impossível de curar.
Sob esta nova ótica comecei a me
recuperar.
Na Oficina da Palavra
reaprendi a brincar,
voltei a rir novamente,
retomando a minha vida,
seguindo meu caminhar.
Mas as marcas estão comigo
impossíveis de apagar:
o que eu sofri nas drogas
são lembranças para sempre,
nunca irão me deixar.
Por isso exponho minha vida
e abro meu coração.
Para vocês, jovens queridas
que das drogas se enamoram
fujam delas enquanto há tempo
para escravas não se tornarem.
Porque, para vocês, eu repito
o que costumava escutar.
A droga é um poço sem fundo
que deixa marcas profundas
que nada pode apagar!
Eu sou,então, uma mulher madura
começando a envelhecer.

Silvana Regina, postado por Sonia Regina, 29/10/2008

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Afinal


Vim te buscar,vem comigo
que eu quero te levar.
Já não suporto a saudade...
muito tempo vi passar.

Estive longe,tão triste
sem sequer poder te ver.
Senti saudades de tudo
e em nada eu via prazer.

Hoje é o dia certo
de contigo me encontrar,
de poder te ver de perto,
de,afinal,te abraçar.

Por isso,espera por mim
que vou chegando cansado
da viagem,de tão longe,
que vou chegando apressado.

Vim te buscar,vim feliz,
feliz quero te encontrar.
Vem comigo!Esta é a hora
de enfim,na eternidade,
afinal,poder te amar.


Sonia Regina,27/01/1993

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Eu sei,mas não devia


Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.E porque não tem vista,logo se acostuma a não olhar para fora.

E porque não olha para fora,logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender mais cedo a luz.E à medida que se acostuma esquece o sol,esquece o ar,esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.A tomar café correndo porque está atrasado.A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.A comer sanduíche porque não dá para almoçar.A sair do trabalho porque já é noite.A cochilar no ônibus porque está cansado.A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e "ler sobre crimes.E aceitando os crimes não acredita nas forças policiais."

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro,e ouvir no telefone:hoje não posso ir.A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar tudo o que se deseja e o de que necessita.E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.E a ganhar menos do que precisa.E a fazer fila para pagar.E a pagar mais do que as coisas valem.E a saber que cada vez pagará mais.E a procurar mais trabalho,para ganhar mais dinheiro,para ter com que pagar nas filas em que se compra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes.A abrir revistas e ver anúncios.A ligar a televisão e assistir a comerciais.

A ir ao cinema e engolir publicidade.A ser instigado,conduzido,desnorteado,lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição.Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.À luz artificial de ligeiro tremor.Ao choque que os olhos levam na luz natural.À contaminação da água do mar.Às bactérias da água potável.À lenta morte dos rios.Se acostuma a não ouvir passarinho,a não ter galo de madrugada,a ter a hidrofobia dos cães,a não colher fruta no pé,a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais,para não sofrer.Em doses pequenas,tentando não perceber,vai afastando uma dor aqui,um ressentimento ali,uma revolta acolá.Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.Se praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.E se no fim de semana não há muito o que fazer,a gente vai dormir cedo,e ainda fica satisfeito porque tem sempre o sono atrasado.A gente se acostuma para não se ralar na aspereza,para preservar a pele.Se acostuma para evitar feridas,sangramentos,para esquivar-se de faca e pistola,para poupar o peito.A gente se acostuma para poupar a vida,que,aos poucos se gasta,e que,gasta de tanto acostumar,se perde em si mesma.

Marina Colasanti,postado por Sonia Regina,27/10/2008

sábado, 25 de outubro de 2008

Conta e tempo


Deus pede estrita conta de meu tempo
e eu vou,do meu tempo,dar-lhe conta;
mas como dar,sem tempo,tanta conta,
eu que gastei,sem conta,tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
o tempo me foi dado e não fiz conta;
não quis,sobrando tempo,fazer conta,
hoje quero acertar conta e não há tempo.

Oh!vós que tendes tempo sem ter conta,
não gasteis vosso tempo em passa-tempo,
cuidai,enquanto há tempo em vossa conta.

Pois aqueles que,sem conta,gastam tempo,
Quando o tempo chegar de prestar conta,
chorarão,como eu,o não ter tempo!

Frei Antonio das Chagas(século XVII),postado por Sonia Regina,25/10/2008

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Poder de crer


Então estou aqui,e você também.
Me permita ser o seu espelho esta noite
e canta em mim o seu encanto,
sua estranheza e o seu espanto:
como quem sabe que,no fundo,
não há distância neste mundo,
pois somos uma só alma.


Me permita ser,esta noite,
a voz que lhe canta e se encanta em si,
que lhe faz sentir e parar
como quem volta pra casa e resolve se amar.



Somos livres e não possuímos as pessoas,
temos,apenas,amor por elas e nada mais.
É preciso ter coragem para ser o que somos,
sustentar uma chama em nosso corpo
sem deixar a luz se apagar.


É preciso recomeçar
no caminho que vai pra dentro
vencendo o medo imaginado;
assegurar-se no inesperado,
confiando no invisível,
desprezando o perecível
na busca de si mesmo.


Ser o capitão da nau
no mais terrível vendaval,
na conquista de um novo mundo
mergulhar bem fundo
pra encontrar o nosso ser real.


E rir,pois tudo é brincadeira,
cada drama é só nosso modo de ser:
a vida só está nos mostrando
aquilo que estamos criando
com nosso poder de crer!!!

Luis Antonio A. Gasparetto,postado por Sonia Regina,24/10/2008

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Minha Casa


Quero a casa de meus sonhos:
branca,janelas enormes,
numa rua bem tranquila
em que só amigos passem.

Quero uma casa espaçosa
com quintal,varanda e jardim,
com floreiras nas janelas
atraindo colibris.

Uma casa ensolarada,
cheia de luz,muita cor,
muitos pratos nas paredes
pra exibir a porcelana...
tapetes por mim tecidos,
almofadas pelo chão.

A casa deve ser grande,
grande no tamanho exato,
escondida entre arvoredos
mas bem exposta pro sol.

Quero essa casa perfeita
onde só cheguem os que gosto,
onde me sinta guardada
de sentimentos pequenos
e de seres bem menores.

Terei a casa que quero,
ela já está nos escritos
daquele que nos governa,
que determina destinos.

Já está anotado em seu livro,
há muito tempo aguardando,
agora já chega o dia
d'os sonhos realizar.

A minha casa esperada
onde serei protegida
com meus filhos,
com saúde,
com os objetos que gosto,
meus cachorros,passarinho.

Vou ser feliz afinal,
eu e meus filhos queridos,
na minha casa esperada,
com jardim,varanda e quintal.

Sonia Regina,24/05/1992

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Namorado


Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil por que namorado de verdade é muito raro.
Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrimas, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil .
Mas namorado é mesmo difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem quer se proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia, pedindo proteção.
A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira, basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar.
Se você tem três pretendentes , dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade.
Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, do carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhadas quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo metrô, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer sesta abraçado, fazer compras junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e do amado e sai com ela para parques, fliperama, beira d´agua, show de Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonho ou musical do metrô.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado.
Não tem namorado quem ama sem gostar, quem gosta sem curtir, quem curte sem se aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, de madrugada ou no meio dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações, quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar.
Enfeite-se com margaridas e ternuras escove a alma com leves fricções de esperança.
De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passar debaixo de sua janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de conto de fadas.
Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente começar a fazer sentido.Enloucresça!!!

Arthur da Távola,postado por Sonia Regina,22/10/2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Bons sonhos


Eu não podia ficar,
não sabia pra onde ir;
você não queria que eu fosse
sabendo que estar não poderia.

E, na magia do sonho,
acordei, triste e mais só,
como se com você tivesse estado
sabendo que, nesta vida, jamais o veria.

São os mistérios do sono,
são os mistérios da vida,
que só Deus pode explicar,
que só Deus pôde criar.

Ficou o encanto da casa
tão arrumada, tão limpa,
o encanto do ambiente
de harmonia e tanto amor.

Ficou aonde? Não sei.
Ficou nos olhos fechados,
no aconchego da noite,
nos mistérios desta alma
sempre buscando você.

O você de fala mansa,
o você, sempre, sorrindo,
o você, sempre, querendo
ficar perto, ser amigo.

E eu, sempre, me perdendo
nos caminhos destes sonhos,
sempre tendo que partir,
sempre a ter que lhe deixar
e voltar pra esse mundo
de aridez, sem sorrisos,
sem cuidados,
sem amor.
*

Sonia Regina, 24/05/1999

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!

NITERÓI, LUGAR ENCANTADO!!!
Luar dando espetáculo na praia da Boa Viagem!"